WASHINGTON - Durante meses, a opinião pública nacional questionou o futuro dos 245 homens mantidos na prisão militar americana em Guantánamo, Cuba.

Mas Obama enfrenta um problema igualmente difícil nos 600 prisioneiros amontoados em uma cavernosa prisão temporária na base aérea americana em Bagram, Afeganistão.

Militares que conhecem Bagram e Guantánamo descrevem o centro de detenção afegão como sendo mais rígido e espartano. Os prisioneiros têm menos privilégios, menor capacidade de questionar seu encarceramento e quase nenhum acesso a advogados. Muitos ainda são mantidos dentro de celas comunais, com pouca oportunidade de recreação. A gestão Bush nunca permitiu a visita da imprensa ou de defensores dos direitos humanos ao local.


Bagram: novo desafio da administração Obama / NYT

Problemas também surgiram com os esforços de reabilitação de ex-jihadistas mantidos em Guantánamo. Nove formandos do programa saudita foram presos depois de voltarem a participar de atividades de grupos terroristas, afirmaram as autoridades sauditas.

O presidente Barack Obama agora terá que decidir se irá continuar a manter prisioneiros em Bagram - a maioria é suspeita de envolvimento com o Taleban - e como faria isso. De acordo com as leis de guerra, eles podem ser mantidos indefinidamente sem acusação. Obama também precisa determinar se continuará a construir um novo complexo de detenção de US$60 milhões em Bagram que, além de oferecer melhores condições aos prisioneiros, daria sinais de um compromisso a longo prazo com a missão de detenção americana.

Obama tentou ganhar algum tempo para lidar com os problemas representados por Bagram na semana passada, mesmo ao ordenar o fechamento de Guantánamo. Em uma ordem executiva separada, o presidente determinou que uma força tarefa liderada pelo procurador geral e pelo secretário de defesa estude a política governamental em relação aos prisioneiros como um todo e lhe entregue um relatório em seis meses.

Mas defensores dos direitos humanos e antigos agentes governamentais dizem que muitos fatores (inclusive a expansão das operações contra o Taleban, a abertura de uma nova prisão em Bagram no outono e uma recente ordem federal) irão provavelmente forçar a gestão a lidar com essas difíceis escolhas muito antes disso.

A população em Bagram aumentou quase seis vezes nos últimos quatro anos, não somente por causa do conflito no Afeganistão, mas pelo fato da gestão Bush ter interrompido a transferência de prisioneiros a Guantánamo em setembro de 2004, fazendo de Bagram sua alternativa preferida para a detenção de suspeitos de terrorismo.

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca sobre as ordens executivas da última quinta-feira, um oficial sênior da gestão Obama foi questionado se os suspeitos de terrorismo capturados por autoridades americanas continuarão a ser enviados para Bagram. O oficial disse que não espera nenhuma mudança em relação às políticas existentes no Afeganistão por pelo menos seis meses, enquanto se espera a conclusão do relatório da força tarefa.

Por ERIC SCHMITT

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