Após deixar Guantánamo, saudita assume liderança da Al-Qaeda no Iêmen

BEIRUTE, Líbano - O surgimento de um ex-prisioneiro de Guantánamo como vice-líder da Al-Qaeda do Iêmen revelou possíveis complicações no cumprimento da ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama na quinta-feira que determina o fechamento do centro de detenção em um ano.

The New York Times |


O militante, Said Ali Al-Shihri, é suspeito de envolvimento no atentado mortal da embaixada americana na capital do Iêmen, Sana, em setembro. Ele foi libertado na Arábia Saudita em 2007 e passou por um programa de reabilitação saudita para antigos jihadistas antes de voltar a comandar o grupo terrorista no Iêmen.

Sua posição foi anunciada em uma declaração online publicada pela Al-Qaeda e confirmada por um oficial anti-terrorismo americano. "Eles são a mesma pessoa", disse o oficial. "Ele voltou à Arábia Saudita em 2007, mas sua movimentação no Iêmen era desconhecida".

Quase metade dos prisioneiros mantidos em Guantánamo são do Iêmen e os esforços de repatriação dependem em parte da criação de um programa de reabilitação no país (financiado em parte pelos Estados Unidos) similar ao existente na Arábia Saudita. O governo saudita alega que nenhum formando de seu programa voltou ao terrorismo.

"A lição aqui é: quem receber antigos prisioneiros de Guantánamo tem que manter os olhos neles", disse o oficial americano.


Guantánamo: ex-prisioneiro pode colocar em risco plano de Obama / AP

Apesar do Pentágono ter dito que dezenas de prisioneiros libertados de Guantánamo "voltaram à luta", sua alegação é difícil de se documentar e foi recebida com descrença até o momento.

Pelo que se sabe, poucos dos antigos prisioneiros (ou nenhum) voltaram a participar da liderança de uma grande organização terrorista como a Al-Qaeda no Iêmen, um grupo principalmente doméstico que segundo os especialistas foi reforçado ultimamente por uma infusão de combatentes estrangeiros.

Há muito considerado um porto-seguro para os jihadistas, o Iêmen testemunhou o aumento no número de ataques mortais no último ano. Oficiais americanos suspeitam que Shihri pode ter se envolvido no atentado com dois carros bombas conta a embaixada americana em Sana que matou 16 pessoas em setembro passado, das quais seis eram terroristas.

Na declaração veiculada na internet, a Al-Qaeda do Iêmen identificou seu novo vice-líder como Abu Sayyaf Al-Shihri, dizendo que ele voltou de Guantánamo para sua terra natal na Arábia Saudita e depois viajou ao Iêmen "há mais de 10 meses". Isso corresponde ao momento em que Shihri chegou ao país em novembro de 2007 depois de ser libertado da prisão.

"Abu Sayyaf" é um nome de guerra, comumente usado entre os jihadistas no lugar de seu nome verdadeiro ou de seu primeiro nome.

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