Após criticar a CIA, Obama enfrenta difícil tarefa de assumir a agência

WASHINGTON - Nos dois anos de campanha presidencial, Barack Obama incitou multidões com palavras duras que criticavam os controversos programas anti-terrorismo da gestão Bush, das prisões secretas da CIA às táticas de interrogação usadas pela agência e denunciadas como terrorismo.

The New York Times |

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Agora Obama terá que assumir a CIA, no que já se mostrou ser um dos trechos mais difíceis de sua transição à Casa Branca.

Na semana passada, John O. Brennan, veterano da CIA que foi amplamente visto como a principal opção de Obama para liderar a agência, retirou seu nome da consideração para o cargo depois que críticos liberais atacaram seu papel nos programas de detenção e questionamento. Brennan se defendeu dizendo que sempre foi um "forte oponente" das táticas violentas dentro da agência, ainda assim Obama evidentemente decidiu que indicar Brennan não valia a batalha com alguns de seus defensores mais ardentes da esquerda.

AP
Brennan se retirou da lista de candidatos
A busca de Obama por outra pessoa e seu futuro relacionamento com a agência são complicados pela tensão entre seu aparente desejo de romper completamente com as políticas da gestão Bush que tanto condenou e a preocupação sobre alienar uma agência que tem papel central na campanha contra a Al-Qaeda.

Uma das questões principais que Obama precisará enfrentar é o futuro das prisões da CIA: a agência continuará a manter prisioneiros secretamente, interrogá-los usando técnicas mais agressivas do que é permitido pelos militares e transferir suspeitos de terrorismo para países com histórico de tortura?

Durante a campanha presidencial, Obama prometeu banir as regras secretas de interrogação da CIA e exigir que todos os interrogadores americanos sigam regras estabelecidas pelos militares, delineadas no Manual de Campo do Exército.

Autoridades da CIA há muito dizem que publicar uma lista das técnicas de interrogação apenas permitirá que a Al-Qaeda treine seus militantes para resistir a elas. Mas eles também dizem que o sigilo levou ao exagero e mitos em relação aos programas de detenção da agência.

Ainda assim, Obama deve substituir Michael V. Hayden, o atual diretor da CIA. Entre os possíveis candidatos estão Stephen R. Kappes, veterano da agência e seu atual vice-diretor; Tim Roemer, ex-congressista de Indiana que foi membro da comissão do 11 de setembro; o senador Chuck Hagel, republicano de Nebrasca, que irá se aposentar do Senado em janeiro; e Jack Devine, ex-líder dos serviços clandestinos da agência que deixou a CIA antes do 11/9.

Por MARK MAZZETTI e SCOTT SHANE

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