Após abandonar delegação cubana, jogadores de futebol se acostumam aos EUA

O atacante Maykel Galindo abandonou Cuba durante o campeonato Concacaf Gold Cup em 2005 e agora joga para o Chivas USA.

New York Times |

Às vezes, Galindo demonstra o talento que o tornava um dos principais perigos na Liga de Futebol. Outras vezes, era o momento do goleiro capaz de acrobacias para salvar uma bola com seu oponente xingando em espanhol.

Ao final dos treinos, a maioria dos colegas de campo e treinadores do Chivas USA, assistiram da lateral à uma prática que poderia acontecer em qualquer clube de futebol do mundo: o chute a gol.

Mas essa cena no final de abril não era mano a mano. Era Cubano a Cubano, uma chance de ver não apenas o passado, mas também um futuro.

"Eu me senti em Havana", afirmou o goleiro José Manuel Miranda.

Há quase dois meses, Miranda estava entre sete jogadores que abandonaram sua delegação de 23 homens nas qualificatórias olímpicas em Tampa, Flórida.

Ele recentemente se uniu à dois outros - o meio-campo Yordany Alvárez e o defesa Yenier Bermúdez numa viagem de quatro dias de ônibus de Miami para testes no time Los Angeles Galaxy. Depois que o Galaxy não lhes ofereceu um contrato, eles treinaram por dois dias com o Chivas USA. Mas o time também os recusou.

Apesar das dificuldades, Miranda, Alvárez e Bermúdez não parecem desencorajados. Eles se encontraram com um oficial de imigração no final de abril para dar entrada nos pedidos de permissão de trabalho, cartas de motorista, números da previdência social e cidadania.

Por enquanto, eles dependem de uma rede que interliga comunidades cubanas e o futebol em Miami, Nova York e Los Angeles. Eles recebem comida, roupas, transporte, celulares e moradia. Também recebem a chance de manter a forma ao participar de jogos semi profissionais semanalmente. Eles ganham entre US$40 e US$50 por jogo, que segundo Miranda é cinco vezes mais do que ganhavam por mês na seleção cubana.

"A comunidade cubana é muito unida e boa em cuidar das pessoas", disse Alicia Molina, advogada do Instituto Internacional de de Los Angeles, que representa os jogadores em seus pedidos de asilo. "Essa não é uma experiência típica para os imigrantes, mas é típica para os cubanos".

No entanto, não é o caminho típico para o jogador de futebol. Quase 150 jogadores de baseball deixaram Cuba, de acordo com o site cubanball.com. Entre os quais estão jogadores da principal liga americana como Orlando Hernández, Liván Hernández e José Contreras.

Mas antes da deserção de Galindo durante a Concacaf Gold Cup em 2005, quando ele deixou o hotel da delegação em Seattle, entrou num ônibus municipal e pediu que o motorista ligasse para um professor de ensino médio que havia acabado de conhecer e falava espanhol, os jogadores de futebol raramente iam para os Estados Unidos.

Depois de jogar duas temporadas para um time da segunda divisão de Seattle, Galindo foi para o Chivas USA no ano passado e se tornou um dos artilheiros do campeonato, com 12 gols. Nessa temporada ele ganhará US$79,500.

Em Cuba, os três jovens jogadores souberam do sucesso de Galindo ao assistir jogos da Liga Americana em vídeos contrabandeados. Miranda descreveu a deserção do atacante como uma "experiência importante" que plantou a idéia que é possível viver e se fazer o que gosta.

"A idéia de jogar futebol profissionalmente era completamente estranha para nós", disse Miranda.

Galindo não aceita o papel de carregar bandeiras. Ele hesita em comentar as questões cubanas, inclusive a passagem de poder de Fidel Castro a seu irmão Raúl, no começo deste ano.

"Quando os sete deixaram a Flórida, o chefe da federação cubana de futebol anunciou que Maykel era responsável por aquilo", disse Galindo, que afirmou que não conhecia os três até a semana passada. "Quando eu decidi vir pra cá fiz isso sozinho. Eu não recomendei a mais ninguém. Mas agora que estão aqui, Eu farei o possível para ajudá-los".

Galindo disse que sua família não sofreu represálias quando ele deixou o país.

- BILLY WITZ

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