Após 25 anos de guerra, o Sri Lanka diz que rebeldes foram derrotados em batalha final

PARIS ¿ As autoridades do Sri Lanka declararam, nesta segunda-feira, vitória final em uma guerra, que durou 26 anos, com os Tigres dos Tâmeis. Em um comunicado transmitido pela televisão pública, foi anunciado que o líder dos insurgentes estava entre os 250 mortos em uma batalha final sangrenta, pelo último território mantido por rebeldes.

The New York Times |


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De acordo com o governo, essa parece ser a guerra civil mais longa da Ásia, e uma das insurgências mais duradouras. O conflito terminou em um campo de batalha com a derrota dos rebeldes, que antes controlavam um quarto do território do Sri Lanka, enquanto faziam uma campanha de pressão por uma terra independente para a minoria tâmil do país.

Reconhecendo uma derrota iminente e cercada por forças do governo, os Tigres Tâmeis disseram, neste domingo, que o conflito de um quarto de século chegou ao seu amargo fim. Nesta segunda, os militares do Sri Lanka disseram que acabaram com os rebeldes, com o avanço de tropas do governo em uma estreita faixa de terra, que media não mais que 2,5 quilômetros, no nordeste do país.

Nós libertamos todo o país completamente ao libertar o norte dos terroristas, disse o tenente-general Sarath Fonseka, comandante do Exército do Sri Lanka, nesta segunda, de acordo com a Reuters.

A notícia provocou comemorações entre a maioria cingalesa por todo o território, com pessoas falando pelas ruas de Colombo, cantando e dançando, disseram relatos. As autoridades afirmaram que entre os mortos estava o líder rebelde, Vellupillai Prabhakaran, há muito visto por várias pessoas como uma figura secreta, cujo lugar onde se encontrava raramente se sabia. Prabhakaran se tornou o líder de uma poderosa guerrilha que designou táticas brutais como bombardeios suicidas e uma forte disciplina interna. Mas seus críticos o comparavam a uma figura ritualística buscando poder.

O serviço de informação do governo mandou, nesta segunda, uma mensagem de texto para celulares de todo o país, dizendo que ele estava morto e a televisão pública interrompeu sua programação para anunciar a notícia.

Mas horas após esses anúncios, Fonseka disse que os militares ainda estavam tentando identificar o corpo de Prabhakaran entre os cadáveres no campo de batalha, informou a AP.

Em contraste ao senso devastador da vitória militar no Sri Lanka, observadores continuaram a registrar preocupações sobre como a batalha foi disputada.

Em um encontro em Bruxelas, na Bélgica, ministros do Exterior europeus disseram que estavam apavorados com os relatos de grandes quantidades de mortes civis e pediram uma investigação independente alegando violações dos direitos humanos e humanitários internacionais de ambos os lados.

O presidente cingalês, Mahinda Rajapaksa, disse que daria um discurso no parlamento, nesta terça-feira, no que se espera que seja uma declaração formal de vitória.

Em um dia de fatos que aconteceram rapidamente, os militares informaram que havia morto sete LTTE líderes, incluindo o chefe do braço do movimento político. Foi dito também que soldados encontraram um corpo que acreditavam ser de Charles Anthony, o mais velho dos dois filhos de Prabhakaran.

Não foi possível verificar se os homens foram mortos no último momento de desespero do conflito ou haviam se matado usando cápsulas de cianeto (veneno mortal), que alguns rebeldes carregam em um frasco de vidro pendurado por um colar.

A televisão pública do Sri Lanka também transmitiu imagens de um cadáver que disseram ser do filho de Prabhakaran. O porta-voz do exército disse que toda a área antes sob o controle dos rebeldes agora foi libertada.

Há cerca de 200 ou 250 corpos de insurgentes, disse o porta-voz.

O combate final veio quando Prabhakaran foi cercado, na manhã desta segunda, com os últimos de seus combatentes, disse a AP, mencionando oficiais militares. Em uma disputa de fogo de duas horas, o líder e seus tenentes seniores se aproximaram do exército cingalês em uma van blindada acompanhados por um ônibus cheio de rebeldes armados.

A batalha terminou quando as tropas dispararam um foguete em direção à van, disseram oficiais não-identificados à AP. Ao contrário do que disse Fonseka, os oficiais contam que as tropas tiraram o corpo de Prabhakaran da van e o identificaram.

Uma exigida confirmação do governo é impossível, porque os militares barraram os jornalistas independentes, junto com a maioria das agências de assistência e monitores de direitos humanos, da zona de combate e das áreas de assentamentos de refugiados. Muitos jornalistas, incluindo alguns do New York Times, foram proibidos de entrar no país e um deles, que voou na tarde de domingo para Colombo, capital do Sri Lanka, recebeu imediatamente um mandado para sair do país.


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