Após 15 anos, resultados do tratado Nafta decepcionam

CIDADE DO MÉXICO - O ex-presidente do México, Carlos Salinas, costumava prometer que o livre comércio e o investimento estrangeiro impulsionariam o desenvolvimento de seu país, encorajando um México mais rico e próspero a exportar bens e não pessoas.

New York Times |

Quase quinze anos depois que o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês) entrou em vigor, apenas a primeira parte de sua promessa se cumpriu.

As exportações do México aumentaram muito sob o Nafta, quintuplicando para US$ 292 bilhões no ano passado, mas o país ainda exporta pessoas também, quase meio milhão todos os anos buscam nos Estados Unidos oportunidades que não têm em casa.

A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton chega ao México na quarta-feira e o presidente Barack Obama irá visitar o país no próximo mês. Ambos devem enfatizar a bem-sucedida cooperação econômica entre os países, mas será difícil ignorar o que não mudou no México sob o Nafta.

Como candidatos à presidência, tanto Obama quanto Clinton prometeram renegociar o Nafta. Mas quando Obama chegar ao País no próximo mês, ele encontrará líderes mexicanos relutantes em modificar o tratado. Ele também ouvirá reclamações em relação a seu projeto de gastos que acaba com a permissão de caminhoneiros mexicanos realizarem transportes nos Estados Unidos. Os economistas locais dizem que grande parte da culpa é dos líderes mexicanos, incapazes ou indispostos em lidar com os oligarcas ou sindicatos que controlam setores chave da economia como a energia e as telecomunicações. Mas, segundo eles, alguma culpa também pertence às consequências não intencionais do Nafta.

Na verdade, em alguns casos, o Nafta produz resultados que são o oposto do que foi prometido. Por exemplo, as indústrias domésticas foram desmanteladas conforme multinacionais passaram a importar peças diretamente dos fornecedores. Fazendeiros locais foram expulsos do mercado por causa da tarifa zero sobre os alimentos importados. Muitos fazendeiros mexicanos simplesmente abandonaram suas terras e seguiram para o norte.

"O Nafta gera uma pobreza produtiva", Harley Shaiken, presidente do Centro de Estudos Latino Americanos da Universidade da Califórnia, Berkeley. Mas os baixos salários significam baixo poder de compra. "Está não é uma estratégia bem-sucedida para a globalização", disse Shaiken.

Mesmo as áreas de maior sucesso do Nafta (como a exportação)  se tornaram um risco, conforme o México sente o declínio do consumo nos Estados Unidos.

Ainda assim, os economistas dizem que grande parte da responsabilidade pela falta de desenvolvimento está nas mãos dos líderes mexicanos e sua incapacidade de instaurar reformas substanciais.

"Nós temos uma economia que está atrofiada por falta de reforma", disse Gerardo Esquivel, economista do Colégio do México.


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