Após 12 anos de controle chinês, Hong Kong vive período de menor liberdade civil

HONG KONG - Nos 12 anos desde que passou do controle britânico para o chinês, Hong Kong permaneceu como um bastião das liberdades civis desconhecidas na China central, sob um arranjo conhecido como um país, dois sistemas.

The New York Times |

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Manifestantes se reúnem em frente ao Conselho Legislativo de Hong Kong

População protesta em frente ao Conselho Legislativo de Hong Kong

Na quinta-feira, milhares de pessoas se reunirão no Parque Victoria para uma vigília que marcará o massacre de 1989 na Praça Vermelha, no qual centenas de estudantes em defesa da democracia foram mortos. No resto da China, qualquer menção ao evento foi banida da mídia e do discurso público.

Mas muitos defensores da democracia e das liberdades civis aqui estão cada vez mais ansiosos sobre Hong Kong conseguir manter sua independência da mão autoritária de Pequim, além de sua identidade distinta que mescla sensibilidades ocidentais e chinesas.

No ano passado, Pequim adiou eleições diretas (para 2017 para o executivo e 2020 para todo o governo) e seus críticos dizem que a China está se envolvendo cada vez mais nos assuntos de Hong Kong.

Um número cada vez maior de estrangeiros cuja posição política contraria ou irrita Pequim não consegue entrar em Hong Kong, e legisladores pró-China proibiram as tentativas de incluir relatos sobre os conflitos na Praça Vermelha nos livros escolares.

Quando questionado na semana passada se apoiava a defesa dos estudantes que ocuparam a Praça Vermelha, o chefe executivo de Hong Kong, Donald Tsang, disse aos legisladores que o episódio deve ser esquecido. Outros oficiais locais adotam a mesma postura e vão além, alegando que ninguém morreu durante o episódio ou que a resposta armada foi legítima porque os estudantes planejavam matar soldados. No mês passado, Ayo Chan, presidente do corpo estudantil da Universidade de Hong Kong, culpou os manifestantes de provocarem a violência na Praça vermelha.

No entanto, tais declarações não passam em branco. Estudantes irritados rapidamente removeram Chan do cargo e o chefe executivo de Hong Kong foi forçado a se desculpar.

Ainda assim, grupos como a Associação de Jornalistas de Hong Kong afirmam que o número de veículos da mídia dispostos a veicular matérias sobre assuntos que irritem Pequim diminuiu. Mak Yin-ting, ex-presidente da associação, afirmou que os proprietários de mais da metade dos veículos de Hong Kong recebem autorizações do Congresso Nacional do Povo e da Conferência de Consulta Política do Povo, que divulga as ideias do Partido Comunista.

"Quando seu chefe é um delegado do Congresso Nacional do Povo", ela disse, "então você sabe que não será possível criticar a China".

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