Apoio de Putin à Igreja Ortodoxa mascara intolerância do Kremlin

STARY OSKOL, Rússia ¿ Não demorou muito tempo para os problemas começarem após a igreja metodista se estabelecer aqui.

The New York Times |

Primeiramente vieram visitas de agentes da FSB, sucessora da KGB, que evidentemente enxergaram uma ameaça nas poucas dezenas de almas, que permaneciam em seus apartamentos apertados para ler a bíblia. Oficiais locais logo trataram de rotular a instituição como uma seita. Finalmente, no último mês, autoridades a fecharam.

Houve um tempo, após a queda do regime comunista, que pequenas congregações protestantes ganharam espaço no sudoeste russo. Atualmente, esta região industrializada se tornou emblemática pela repressão à liberdade religiosa sob a ótica do presidente Vladimir V. Putin.

Desde que o governo apertou o controle sobre a vida política, ele também passou a agir nos assuntos religiosos. Representantes do Kremlin em muitos áreas transformaram a Igreja Ortodoxa Russa em uma religião oficial, de forma a evitar outras denominações cristas que parecem oferecer uma concorrência mais significativa por fiéis. Eles proibiram protestantes de atraírem novos adeptos, bem como desencorajaram a fé protestante através de séria de medidas, de acordo com as dezenas de entrevistados com autoridades do governo e líderes religiosos de toda a Rússia.

Essa aliança próxima entre o governo e a Igreja Ortodoxa Russa tem sido uma característica marcante do mandato de Putin, uma coreografia de assistência mútua que geralmente é descrita aqui como uma sinfonia.

O presidente Putin realiza freqüentes aparições com o líder religioso Patriarch Aleksei II na rede de televisão nacional controlada pelo Kremlin. Na última semana, Putin aceitou um convite de Aleksei II para comparecer em eventos da Páscoa Ortodoxa Russa, no próximo domingo.

Essa relação é fundamentada em parte por uma ideologia nacionalista comum, dedicada para restaurar a força da Rússia após o desastre decorrente da extinção da União Soviética. A hostilidade da igreja contra grupos protestantes, muitos dos quais baseados nos Estados Unidos, é colorida com o mesmo espírito anti-ocidente geralmente enfatizado por Putin e outros altos oficiais.

A antipatia do governo também parece se originar em parte da cautela do Kremilin em relação às organizações independentes que não são aliadas ao governo.

A constituição russa garante a liberdade religiosa, e Putin tem discursado freqüentemente contra a discriminação. Na Rússia moderna, tolerância e tolerância para outras crenças são o fundamento para a paz civil e um importante fator para o progresso social, disse o presidente em uma reunião com líderes religiosos em 2006.

Mikhail I. Odintsov, alto conselheiro da comissão russa dos Direitos Humanos, que foi nomeado por Putin, disse que em parte, as reclamações em seu escritório são em relação à religião envolvendo protestantes.

Odintsov ouviu as questões: Problemas com propriedade ilegal, com construção de igrejas, renovações, ministros que vem de fora, problemas com a aplicação da lei, freqüentemente com a polícia.

Na Rússia, ele aponta, não há uma força política significantemente influente, ou um partido ou qualquer forma de organização que sustente e proteja os princípios de liberdade religiosa.

- Clifford J. Levy

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