Apoio a Putin diminui em importantes regiões da Rússia

Votos para o Rússia Unida, partido do premiê, devem diminuir em áreas como Tula, onde moradores reclamam de estagnação

The New York Times |

O Rússia Unida já não pode mais contar com os eleitores de lugares como Tula, uma região industrial localizada a cerca de 190 quilômetros de Moscou, onde muitos moradores dizem que a sua qualidade de vida estagnou. Esta falta de apoio é uma perspectiva inquietante para o governo - mesmo sabendo que o Rússia Unida irá quase certamente dominar as eleições legislativas de 4 de dezembro.

Com a oposição praticamente eliminada, o sistema político da Rússia depende muito da popularidade de seus líderes para manter sua legitimidade. Pesquisadores preveem que o Rússia Unida irá perder mais ou menos 60 de suas 315 cadeiras no Parlamento, e em Tula oficiais estavam tentando um último empurrão para reconquistar a confiança dos eleitores.

NYT
Funcionária do Rússia Unida, partido de Putin, fazem campanha em Arsenyevo, na região de Tula (15/11)

Uma série de aumentos salariais e projetos públicos foram anunciados nas últimas semanas. Vladimir S. Gruzdev, um político em ascensão que foi eleito governador em agosto, realiza reuniões em ritmo de maratona na Câmara Municipal.

Arsenyevo é uma cidade de apenas 4,9 mil habitantes, mas Gruzdev passou três horas e meia por lá este mês. Cerca de 60% dos moradores de Tula votaram no Rússia Unida em 2007, mas as pesquisas mostraram que este apoio pode diminuir para cerca de 40%.

Em entrevistas, os eleitores reclamaram de salários estagnados, do aumento nos preços e de longas filas para o pagamento de contas de serviços públicos.

Vladimir Kosteyev, um consultor eleitoral que tem trabalhado para o Rússia Unida em Tula desde abril, disse que o clima está relativamente tenso nas cidades industriais que ficam perto o suficiente de Moscou para poder comparar as suas riquezas.

"É apenas uma tendência normal de exaustão com uma marca política", disse Kosteyev. Se os eleitores estão cansados do partido, ou de Putin, ele acrescentou, "precisamos reinventar a marca".

Apenas reinventar a marca pode não ser o suficiente em uma região como Tula, onde as queixas dos eleitores são a economia e onde "as pessoas já não acreditam apenas em palavras", disse Alexei V. Makarkin, analista do Centro de Tecnologias Políticas de Moscou.

Em qualquer caso, diz ele, as autoridades têm pouco a temer em relação às eleições parlamentares. O perigo real virá muitos meses à frente, disse Makarkin.

A temporada de campanha revelou que "alguma coisa está acontecendo em nossa sociedade, um processo muito importante", argumenta ele, na maneira como os russos comuns - pessoas acostumadas a uma taxa de crescimento de 7% - avaliam Putin e o partido Rússia Unida com uma lente cada vez mais crítica.

"As pessoas têm a expectativa de que, pelo menos, as coisas não irão piorar", disse ele. "E provavelmente elas irão piorar."

Por Ellen Barry

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