Apesar de êxito em revolução, problemas da Tunísia persistem

Alta taxa de desemprego entre jovens e economia estremecida por confrontos alimentam sonho dos tunisianos em partir para a Europa

The New York Times |

A revolução mudou muito a cidade de Zarzis, com casas baixas e caiadas de branco na costa do Mediterrâneo. Os moradores já não vivem com medo da polícia secreta e falam abertamente sobre política.

Mas um grande número de jovens desempregados ainda fica pelos cafés durante as tardes, fumando cachimbos de água, jogando baralho e bebendo. E agora mais do que nunca, os barcos de pesca levam milhares de trabalhadores desesperados através do Mediterrâneo, à Europa.

"Se eu pudesse nadar até Lampedusa, eu faria isso", disse Walid Bourwina, 23 anos, referindo-se à ilha italiana para a qual milhares de tunisianos fugiram recentemente. Ele carregava uma pequena bolsa vermelha com todos os seus pertences.

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Pescador trabalha no porto da cidade de Zarzis, na Tunísia
Tunisianos de todas as idades falam de seu orgulho pela derrubada de um ditador, que desencadeou as revoltas que se espalharam pelo mundo árabe. Mas a exaltação de meados de janeiro começou a dar forma a uma realidade menos utópica.

A revolução não resolveu o desemprego crônico entre os jovens, e os tumultos estremeceram a economia com a súbita ausência de turistas e fuga de capital. O governo vive um período instável e muitos temem que serão precisos muitos anos antes que a cultura de desconfiança e corrupção pré-revolução enfraqueça. "É todo um país que precisa ser refeito", disse Ahmed Faouzi Khenissi, prefeito de Zarzis, uma cidade de 70 mil habitantes. "Não vai levar um ou dois anos, ou mesmo três. Vai ser preciso uma geração inteira”.

Barcos

em uma polícia de fronteira, mais de 15 mil tunisianos seguiram para a Europa em barcos, segundo a ONU – a maioria partiu das praias de Zarzis.

Em resposta, várias regiões da Itália concordaram temporariamente em compartilhar a responsabilidade de acolher cerca de 50 mil imigrantes que deixaram o norte de África.

Durante anos, a taxa de desemprego na Tunísia pairou em torno de 13%, de acordo com estatísticas oficiais. E em uma nação onde mais da metade da população tem menos de 30 anos, o desemprego entre jovens é de 30%, taxa ainda maior entre aqueles com formação universitária.

O premiê interino da Tunísia, Beji Caid Essebsi, disse que resolver o problema do desemprego muito provavelmente será algo "difícil" pois exigiria uma taxa de crescimento econômico improvável, de 8% ou 9%. "Nós não sabemos se tudo será corrigido", disse um jovem que deixou Zarzis apenas três semanas depois da revolução. Agora, em Paris, ele ainda tem de encontrar trabalho, mas disse não lamentar sua partida.

*Por Scott Sayare

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