Apesar de barreiras legais, crescem adoções por casais gays nos EUA

Aumento ocorre apesar de leis que podem deixar seus filhos sem direitos e proteções estendidas a herdeiros de heterossexuais

The NewYork Times |

Um número crescente de casais homossexuais está adotando crianças, de acordo com dados do censo, apesar de um panorama judicial específico que pode deixar seus filhos sem os direitos e as proteções estendidas aos filhos de heterossexuais.

Casais do mesmo sexo são expressamente proibidos de adotar crianças em apenas dois Estados americanos – Utah e Mississippi –, mas eles enfrentam barreiras legais significativas em cerca de metade de todos os outros Estados do país, principalmente por não poder se casar legalmente.

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Matt Lees (à esq.) e seu parceiro, Ray, são vistos com alguns de seus filhos durante o jantar em Worthington, em Ohio
Mesmo assim, cerca de 19% dos casais do mesmo sexo com filhos relataram ter uma criança adotada na casa em 2009, enquanto apenas 8% informaram o mesmo em 2000, de acordo com Gary Gates, um demógrafo do Instituto Williams de Direito sobre Orientação Sexual da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Os defensores das famílias gays dizem que há duas tendências distintas: a necessidade de lares para crianças aguardando adoção – atualmente cerca de 115 mil nos Estados Unidos – e o aumento da aceitação de gays e lésbicas na sociedade americana.

A maioria dos obstáculos legais enfrentados por casais homossexuais que pretendem adotar decorre das proibições de casamento, de acordo com o Conselho para Igualdade Familiar, um grupo de defesa para famílias homossexuais. Na maioria dos Estados, homossexuais solteiros são autorizados a adotar.

Mas, apesar das leis e políticas proibitivas, os defensores dizem que as agências de adoção e assistentes sociais cada vez mais veem os casais do mesmo sexo como um recurso de extrema necessidade para as crianças atualmente sob cuidados do governo.

"A realidade é que realmente necessitamos de pais adotivos, e não importa qual seja a sua relação", disse Moira Weir, diretora do Departamento de Serviços da Família do condado de Hamilton, Ohio. "Se eles podem fornecer um lar seguro e amoroso para uma criança, não é isso que queremos?"

O governo Obama percebeu o papel relevante que gays e lésbicas podem ter em relação às adoções. O comissário para Crianças, Jovens e Famílias do governo, Bryan Samuels, enviou um memorando sobre a questão para as agências nacionais de bem-estar da criança, em abril.

"O sistema de bem-estar infantil tem percebido que colocar uma criança em uma família gay ou lésbica não é um risco maior do que colocá-las em uma família heterossexual", disse Samuels em uma entrevista.

E embora estejam crescendo, os números são pequenos. Gates estima que 65 mil crianças adotadas vivem em lares onde o chefe da família é gay - ou cerca de 4% da população adotada.

* Por Sabrina Tavernise

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