Aos 100 anos, Tel Aviv mostra que reinventou a si mesma

TEL AVIV, Israel - A Bienal Tel Aviv-Jaffa, um evento marcado para coincidir com o centenário desta capital da cultura israelense, está convidando os artistas a fazer perguntas incômodas sobre sua história e identidade - a primeira cidade hebraica, aquela que surgiu do vazio das dunas de areia como uma fuga das ruelas cheias de tensão da vizinha árabe portuária Jaffa.

The New York Times |

Ainda que Tel Aviv seja hoje uma metrópole agitada de 1,5 milhão de habitantes com bares espanhóis, boates gays e uma arquitetura cintilante, a questão palestina nunca está longe.

Dois curadores, um russo e um esloveno, que haviam sido escalados para fazer parte desta bienal, desistiram no mês passado por causa de suas objeções contra a invasão de Gaza em dezembro e a rejeição de seu pedido para que colegas israelenses emitissem uma declaração condenando a operação militar de três semanas.

Tel Aviv é a cidade mais politicamente liberal de Israel e oferece um grande contraste com o espírito de conservadorismo religioso que impera em Jerusalém.

Ela vota à esquerda e acompanha a Europa. Muitos habitantes anseiam viver a vida de uma cidade mediterrânea quente - para se tornar, digamos, a Barcelona do Oriente Médio e esquecer o conflito que existe a alguns quilômetros dali. E de certa forma, eles conseguem.

Isso significa que ao observar seu centenário, Tel Aviv tende a se envolver em debates não sobre seu passado mas sobre seu futuro.

Jaffa e Tel Aviv funcionam como uma única municipalidade e como parte das celebrações centenárias uma calçada de tábuas foi construída entre elas. Mas Jaffa, onde vivem muitos árabes, continua a ser a prima pobre de Tel Aviv.

Na pressa de estabelecer Tel Aviv como o coração econômico e cultural de Israel, muitos questionam a rápida construção de condomínios de luxo e edifícios comerciais.

Uma parte dos moradores veteranos e mais jovens vê tal desenvolvimento como uma ameaça à acessibilidade da cidade e sua sensação original.

Jeremie Hoffman, diretor do departamento de conservação da cidade, disse: "O maior desafio urbano que nós enfrentamos hoje é descobrir como Tel Aviv quer crescer. O que cria um conflito entre a cidade histórica, o avanço de prédios altos e o desejo de ser verde e permanecer ecológica e não ceder ao tráfico e a densidade".

Leia mais sobre Tel Aviv

    Leia tudo sobre: israeltel aviv

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG