Ao contabilizar idosos, Japão descobre que muitos desapareceram

Operação do governo não consegue encontrar cerca de 280 japoneses listados nos registros oficiais com 100 anos ou mais

The New York Times |

Há muito tempo o Japão se gaba de ter em sua população muitas das pessoas mais velhas do mundo – um testemunho, acreditam muitos moradores, de uma sociedade com uma dieta de qualidade e compromisso com seus idosos que é inigualável no ocidente.

Isso foi antes de a polícia encontrar o corpo de um homem que, aos 111 anos, se pensava ser uma das pessoas mais velhas do Japão, mumificado em sua cama, morto há mais de três décadas. Sua filha, agora com 81 anos, escondeu a sua morte para continuar a receber sua pensão, segundo a polícia.

Alarmados, os governos locais começaram a enviar equipes para verificar outros idosos. O que encontraram até agora tem sido pouco animador.

AP
Autoridade japonesa visita Misue Watase, de 100 anos, em Kobe, no Japão


Uma mulher, que seria a mais velha do mundo, aos 125 anos, está desaparecida - provavelmente há muito tempo. Quando os oficiais da cidade tentaram visitá-la em seu endereço cadastrado, eles descobriram que o local havia sido transformado em um parque em 1981.

As autoridades não conseguiram encontrar mais de 281 japoneses listados nos registros oficiais com 100 anos de idade ou mais.

Diante de um clamor crescente da opinião pública, o ministro da saúde, Akira Nagatsuma, disse que os oficiais irão se reunir com cada pessoa listada com 100 anos ou mais para verificar se estão vivos. Oficiais de Tóquio fizeram a mesma promessa para os cerca de 3 mil moradores registrados com mais de 100 anos.

A procura por pessoas idosas desaparecidas surpreendeu este país de rápido envelhecimento, no momento em que está sobrecarregado por sistemas de assistência para os idosos, esquemas criminosos que os têm como alvo e a descoberta quase diária de idosos que morrem sozinhos em suas casas.

No momento, não há respostas claras sobre o que aconteceu com a maioria dos centenários desaparecidos.

Estará o país testemunhando o resultado da fraude de pensões em grande escala, ou, como alega a maioria dos oficiais, tudo isso não passou de uma falha na manutenção de cadastros? Ou, como sugerem os analistas mais sombrios, todo o sórdido caso não passa de um reflexo da desintegração dos valores familiares, conforme a geração mais jovem deixa os mais velhos de lado?

Oficiais locais tendem a menosprezar as explicações psicossociais. Enquanto algumas pessoas mais velhas podem ter simplesmente se mudado para asilos, segundo eles, há uma crescente suspeita de que muitos já podem ter morrido.

Ainda que as autoridades tenham se deparado com grande número de centenários desaparecidos, especialistas em análises demográficas dizem duvidar de que isso tenha impacto sobre a grande expectativa de vida do Japão – o país tem a mais alta expectativa de vida do mundo, cerca de 83 anos, de acordo com o Banco Mundial.

Mas as autoridades admitem que o Japão pode ter menos centenários do que acreditava.

Por Martin Fackler

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