Anúncios de maconha medicinal ajudam jornais nos EUA

Poucos previram a benção dessa publicidade para jornais americanos que buscam maneiras de lidar com os efeitos da recessão

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Suplemento do jornal Colorado Springs Independent dedicado à maconha medicinal

Quando chegou às ruas na semana passada, a última edição do ReLeaf, um suplemento do jornal Colorado Springs Independent dedicado à maconha medicinal, aterrissou com um baque satisfatório. São 48páginas ao todo, recheadas com propagandas de empresas com nomes como Buda Feliz e Conexões Saudáveis (que buscava atrair possíveis clientes com promessas de "enfermeiras" para cuidar das suas necessidades).

Um anúncio de página inteira no ReLeaf custa cerca de US$ 1.100, fazendo da publicação uma máquina de dinheiro para o Independent, que usou a verba dos anúncios de maconha medicinal deste ano para contratar um novo repórter e promover três funcionários ao mesmo tempo. O jornal acrescentou também uma coluna chamada CannaBiz que acompanha notícias de todo o país sobre a maconha – seu autor é o novo escritor estrela sobre o assunto.

Inquietação

O que aconteceria em muitas comunidades que hoje permitem a maconha medicinal é algo que gerou grande inquietação. Mas poucos previram a benção que seria para os jornais locais à procura de maneiras de lidar com os efeitos da recessão e da fuga de publicidade – principalmente anúncios classificados – para sites como o Craigslist.

Mas, em Estados como Colorado, Califórnia e Montana, onde o uso da droga para fins medicinais é legal, os jornais – sobretudo os alternativos – se apressaram para atrair a publicidade dos fornecedores de maconha. Muitas dessas empresas estão abarrotadas de dinheiro e ansiosas para anunciar seus negócios.

É difícil mensurar qual a parcela do mercado global eles representam, mas os anúncios de fornecedores de maconha medicinal e dos negócios que surgiram para servi-los – tributaristas, agentes imobiliários, especialistas em segurança – têm aumentado a receita em grandes jornais metropolitanos de mercados como Los Angeles, São Francisco e Denver.

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Anúncio de maconha medicional em um jornal de Los Angeles
O crescimento explosivo dos negócios de maconha medicinal faz com que alguns temam o que acontecerá com a bolha que está prestes a estourar.

Política liberal

Em Colorado Springs, onde a política liberal em relação à maconha entrou em confronto com a comunidade de conservadores da cidade, os eleitores terão de tomar uma decisão no próximo mês em um referendo que pretende proibir os vendedores de maconha medicinal em áreas não registradas do condado de El Paso. Em Montana, o Legislativo deve aceitar propostas para regular mais estritamente o uso da maconha medicinal, incluindo a limitação da quantidade da erva que um paciente pode comprar por mês.

No jornal The Missoula Independent, onde a publicidade de maconha medicinal agora representa cerca de 10% da receita, há preocupação de que a torneira possa em breve secar.

Matt Gibson, presidente do jornal, disse que as empresas de maconha têm ajudado o jornal a atravessar uma recessão brutal. "Tem sido estressante para nós há vários anos", ele disse. "Não há dúvida de que foram bons para o nosso negócio. E nós estamos preocupados com 2011, se o Estado rever o estatuto, o que parece quase certo".

*Por Jeremy W. Peters

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