Antiga comunidade italiana aproveita ventos para se modernizar

Tocco da Casauria é uma das 800 comunidades do país que produz mais energia do que consome normalmente

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As altíssimas turbinas de vento brancas que se erguem de bosques de oliveiras retorcidas revelam algo extraordinário acontecendo em toda a Itália. Diante do alto custo das tarifas de eletricidade, pequenas comunidades de um país mais conhecido por seu lixo do que por uma cidadania ambiental estão encontrando salvação econômica na energia renovável.

Mais de 800 comunidades italianas agora produzem mais energia do que usam por causa da recente criação de usinas de energia renovável, de acordo com um estudo realizado este ano pelo grupo ambientalista italiano Legambiente.

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Tocco da Casauria produz 30% a mais de energia do que normalmente utiliza
As energias renováveis têm sido uma bênção para Tocco da Casauria, que faz dinheiro com a geração de eletricidade e conseguiu cortar taxas locais para serviços como a remoção de lixo.

A cidade italiana por excelência tem 2.700 habitantes e está localizada no centro montanhoso pobre da Itália. Com a sua igreja bem conservada e castelo em ruínas, Tocco vive na maioria dos aspectos presa ao passado. Senhores falando de política enchem os bares locais, enquanto as senhoras passeiam pelo mercado. A colheita da azeitona é o mais importante evento no calendário local.

Cidade do futuro

No entanto, do ponto de vista energético, Tocco é o futuro. Além das turbinas de vento da cidade, painéis solares colocados sobre o antigo cemitério e o complexo desportivo – além de um número cada vez maior de casas - também geram eletricidade.

A Itália é um cenário improvável para uma revolução das energias renováveis. O país tem sido repetidamente criticada pela União Europeia por não seguir as diretivas ambientais do bloco.

Além disso, a Itália provavelmente não conseguirá cumprir a redução de emissões determinada pela União Europeia ou o seu acordo para conseguir que 17% do total de sua energia seja proveniente de fontes renováveis até 2020, segundo especialistas. Atualmente, apenas 7% da energia da Itália vem de fontes renováveis.

Mas o crescimento de pequenos projetos de energia renovável em lugares como Tocco – não apenas na Itália mas também em outros países – ressalta que a mudança econômica muitas vezes é mais importante do que o planejamento nacional na promoção de energias alternativas.

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Crianças brincam na parte histórica de Tocca da Casauria, na Itália
Tocco da Casauria foi motivada a agir mais cedo porque o custo da energia na Itália é um dos mais altos da Europa – quase três vezes a média dos EUA – , e a cidade não teria como lidar com as flutuações selvagens nos preços dos combustíveis fósseis e de fornecimento que prevaleceu durante a última década.

Ao mesmo tempo, os custos das energias renováveis têm caído rapidamente. E, como em grande parte da Europa, o apelo de energias alternativas aqui foi facilitado por subsídios governamentais – garantias do governo para compra de energia renovável a um preço atraente por qualquer empresa, cidade ou casa que ajude a produzi-la.

Kieran McNamara, representante da Itália na Agência Internacional de Energia, disse que ainda que pequenos projetos de energia renovável não sejam suficientes para sustentar toda uma economia industrial como a da Itália, eles são importantes.

"Esses pequenos projetos têm o seu valor intrínseco e tem uma contribuição muito positiva em países onde os preços da eletricidade são altos", disse McNamara.

*Por Elisabeth Rosenthal

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