Antes do encontro, Bush defende Olimpíadas

TOYAKO, Japão ¿ O presidente George W. Bush desembarcou no norte montanhoso da ilha japonesa de Hokkaido no domingo, 6, para conversar com líderes mundiais sobre mudanças climáticas, aumento do preço do combustível e do gás e ajuda à África. Mas primeiro defendeu sua decisão de comparecer à cerimônia de abertura dos jogos Olímpicos em Pequim no próximo mês ¿ e recebeu uma pequena ajuda de seu anfitrião, o primeiro-ministro Yasuo Fukuda, que anunciou que também irá a cerimônia.

The New York Times |

Defensores dos direitos humanos pedem o boicote aos jogos em protesto a repressão chinesa aos movimentos anti-governo no Tibete e o apoio ao governo do Sudão.

Eu vejo os jogos olímpicos como uma oportunidade de encorajar nossos atletas, disse Bush durante uma coletiva de imprensa depois de um encontro fechado com líderes. Bush declarou que não ir à cerimônia seria uma afronta ao povo chinês e poderia dificultar uma conversa franca com líderes chineses.

Outros líderes, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, não comparecerão à cerimônia de abertura. O presidente francês, Nicloas Sarkozy, disse também que deverá ficar em casa, apesar da imprensa ter noticiado no fim de semana que ele estaria prestes a anunciar sua presença na abertura.

Mas Fukuda disse, eu não acredito que seja necessário relacionar as Olimpíadas com política.

A visita de Bush a Toyako, onde os líderes estão reunidos, é o último encontro com líderes do G8 ¿ oito nações mais industrializadas - enquanto presidente. O encontro ocorre no momento em que outras nações estão frustradas com os EUA devido ao dólar baixo e ao aumento do preço do petróleo e dos alimentos, que ameaçam a economia global.

Na segunda-feira, 7, quando o encontro oficialmente começa, Bush se encontrará com Dmitri A. Medvedev pela primeira vez desde que Medvedev substitui Vladimir V. Putin no posto de presidente da Rússia.

A Rússia diz que concorda com a necessidade da Coréia do Norte e do Irã abandonarem suas ambições nucleares, mas não supera as diferenças em relação ao plano de Bush de construir um sistema de defesa de mísseis no leste europeu.   

 Bush espera usar seu tempo no Japão para pressionar líderes com os quais tem afinidade a sustentar suas promessas de enviar mais ajuda à África, peça central de sua própria agenda de política externa.


Presidente Bush (quarto da direita para esquerda) na reunião do G8: mudanças climáticas, alta do preço dos alimentos e do petróleo e Olímpidas /AP

Mudanças climáticas é outro tópico importante. Depois de anos sendo pressionado para que enfrentasse a questão com mais agressividade, Bush espera agora liderar um acordo internacional até o fim deste ano que visa reduzir a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa.

Mas o esforço de Bush, particularmente no quesito mudanças climáticas, é prejudicado pela eleição que o espera na volta para casa. Tanto o senador e candidato democrata Barack Obama quanto também senador e candidato republicano John McCain, criticaram a Casa Branca no que eles chamam de falta de comprometimento em reduzir a emissão de gases.

Todos estão esperando de certa forma o próximo presidente dos EUA, disse Aldn Meyer, que está no Japão para acompanhar o evento enquanto diretor de estratégia da Union of Concerned Scientists, uma organização sem fins lucrativos baseada em Washington. De alguma maneira veremos uma aproximação diferente vinda do presidente Bush.

Fukuda disse que gostaria de concluir o encontro com um acordo para que a emissão de gases que contribuem para o efeito estufa seja diminuída em 50% até 2050. Mas resiste em concordar com tal objetivo a menos que nações em desenvolvimento como China e Índia também se comprometam

Antes de deixar a reunião do G8 do ano passado na Alemanha, Bush propôs sua própria solução: uma série de encontro entre as nações mais poluidoras para tentar forjar um consenso internacional. Os líderes desses países, incluindo China e Índia, estão programados para se encontrarem em Hokkaido na quarta-feira, e a principal questão é o que sairá dessa sessão.

Um especialista que monitora as conversas, Philip E. Clapp da Pew Environment Group, disse que os negociadores estavam considerando uma proposta trazida pela China. Nesta proposta, a China concordaria em reduzir as emissões do país até 2050, mas em troca os EUA teriam que concordar em reduzir suas emissões em um período menor, até 2020. 

Em abril, Bush pediu para os EUA barrar o aumento da emissão de gases até 2025, e Clapp disse que se mantém esperançoso de que um acordo possa ser fechado.

Mas na coletiva de imprensa de domingo, Bush não foi claro, dizendo apenas que os EUA estavam trabalhando para contribuir com um programa construtivo.

Por SHERYL GAY STOLBERG

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