Ansiedade da recessão atinge dia a dia de americanos

Anne Hubbard não perdeu seu emprego, sua casa ou suas economias. Ela e seu marido sempre foram cuidadosos quando o assunto é dinheiro. Mas há alguns meses, Hubbard, designer gráfica em Cambridge, Massachussets, começou a ter ataques de pânico por causa da economia, com dificuldade em respirar e visões claras nas quais perdia tudo, ela disse.

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Meditar se tornou uma solução para tentar conter ansiedade e preocupação com a crise

"Eu não conseguia parar de ler todos os relatos sobre a economia", estava "com o estômago tão enjoado que perdi 5kg" e "já não funcionava", disse Hubbard, 52, que começou, pela primeira vez, a tomar remédios receitados por um psiquiatra e a fazer terapia.

Em Miami, Victoria Villalba, 44, dormia rotineiramente oito horas por noite até que as história de clientes desesperados começaram a inundar seu escritório de colocação profissional e passaram a acordá-la às 2h da manhã. Sem sono, ela primeiro passou a responder emails, mas isso fazia com que os BlackBerries de colegas que dormiam os acordassem. Agora ela estuda livros de negócios e organiza meticulosamente seu armário.

"Eu fico envergonhada", ela disse. "As pessoas normais não fazem isso".

Com a previsão de que os danos econômicos durem meses ou anos, tais reações são comuns, afirmam os especialistas. Ansiedade, depressão e estresse perturbam as pessoas em todos os lugares, muitas das quais não sofreram perdas econômicas significativas, mas temem que irão ou simplesmente reagem às incertezas.

Algumas procuram aconselhamento ou medicação pela primeira vez - de terapistas, clínicas de sono, médicos familiares. Outras retomam ou aumentam o tratamento ou redirecionam a terapia de outras questões para a ansiedade sobre a economia.

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A terapia é outra ajuda que muitos procuram para lidar com o momento atual

"A economia e o medo do que está acontecendo está tendo um grande efeito", disse Sarah Bullard Steck, terapeuta de Washington que também dirige um programa de assistência a funcionários de departamentos comerciais. "As pessoas agora têm uma ansiedade mais grave" ou "problemas no casamento, violência doméstica e até abuso de substâncias".

A ansiedade não é apenas assustadora para aqueles com algo a perder, como pessoas mais velhas e donos de imóveis.

Elizabeth Dewey-Vogt, 25, advogada cujas contas e menos horas extras forçaram a voltar para a casa dos pais em Alexandria, Virgínia, disse que começou a se "preocupar constantemente com as finanças" e a ter "ataques de pânico, com o coração disparado, uma sensação de sufocamento, arrepios e suor, amortecimento e uma sensação de formigamento nos dedos" e a se sentir "quase fora do próprio corpo".

Mesmo as crianças mostram sinais de stress.

Daniel A. Cohen, psiquiatra de Manhattan, disse que viu "mais famílias em crise", com crianças mostrando mais sinais de "ansiedade e depressão" e mais pesadelos.


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