Anheuser-Busch aceita a proposta da belga InBev

A Anheuser-Busch aceitou no domingo a noite a oferta de U$52 bilhões da cervejaria belga InBev, disseram fontes envolvidas no negócio, colocando o controle da maior cervejaria dos EUA e fixação dos norte-americanos na mão da rival européia.

The New York Times |

O acordo feito todo em dinheiro, valendo U$70 cada ação da empresa, pode criar a maior cervejaria do mundo, juntando à marca produtora da Stella Artois, Bass and Brahma as marcas Budweiser e a Michelob. Juntas, as duas companhias poderão vender mais de U$36 bilhões por ano, ultrapassando a concorrente inglesa, SABMiller.

A empresa deverá se chamar Anheuser-Busch InBev, cumprindo a promessa da cervejaria belga em incorporar o nome Anheuser ao novo título, informaram fontes ligadas à empresa. À Anheuser serão dados dois assentos na comissão de diretores, incluindo um para August A. Busch IV, chefe-executivo da empresa e descendente da família que controla a empresa.   

Para milhões, a Budweiser é sinônimo de cerveja norte-americana. Devido ao enorme investimento da Anheuser em publicidade e logística, poucas marcas são tão onipresentes no cotidiano como a Budweiser e sua irmã, a Bud Light. 

Tendência no setor

Muitas das gigantes cervejarias norte-americanas já foram compradas por suas rivais mundiais na última década. A Miller Brewing Co. foi vendida para a South African Breweries em 1999, e a Adolph Coors Co. foi comprada pela canadense Molson em 2005. (Ano passado, Molson Coors concordou em fundir suas operações norte-americanas com a as da SABMiller.) 

A concessão da Anheuser é mais um exemplo da consolidação que vem acontecendo com as indústrias de cerveja. A InBev e a SABMiller, resultados também de fusões nesta década, conduziram esforços para ganhar canais de distribuição ao redor do globo. O aumento no preço dos ingredientes da cerveja, com os grãos, também impulsionou as empresas a buscarem uma produção em maior escala para aumentar seu poder de compra junto aos fornecedores.

O acordo marca um revés para a Anheuser, baseada desde a sua fundação em St. Louis, Missouri. Quando a InBev anunciou a oferta inicial de U$46.3 bilhões no mês passado, a Anheuser montou uma forte defensiva. A estratégia era baseada na questão da herança familiar e sua história como a maior benfeitora da cidade onde está baseada, e seus proprietários argumentaram que poderiam aumentar os lucros sozinhos.

Política

Muitos políticos, incluindo Matthew R. Blunt, o governador republicano do Missouri, e o senador Barack Obama de Illinois, candidato democrata à presidência, expressaram apoio para que a Anheuser se mantivesse independente. 

O senador John McCain, candidato republicano, tem laços mais fortes com a Anheuser. Sua mulher, Cindy, é presidente da Hensley & Co, uma das principais distribuidoras da Anheuser, e detém um montante significativo das ações da empresa.  

A briga começou a pesar quando a Anheuser e a InBev lançaram mão de processos como forma de agressão. Na última semana, a InBev começou uma campanha para tirar do comando a comissão de diretores da Anheuser, enquanto a Anheuser acusava sua pretendente de mentir sobre seus compromissos financeiros e criticou os negócios da rival em Cuba.

Mas Busch, o chefe-executivo da empresa que sua família controlou por mais de um século, enfrentava pressões para considerar o acordo. As ações da Anheuser se mantiveram estáveis nos últimos anos, mas vêm crescendo desde que a InBev tornou pública a oferta, mês passado.

Muitos acionistas da Anheuser, incluindo o bilionário Warren E. Buffett, indicam-se propensos a apoiar a InBev, alegaram pessoas ligada às negociações. As conversas foram confidenciais. 

Budweiser será símbolo da empresa

A Anheuser se aproximou da InBev na última quarta-feira, visando a melhor e última oferta da empresa, disseram alguns informantes. InBev respondeu aumentando a oferta de U$65 para U$70 por ação. 

De qualquer forma, a InBev professa seu desejo em fechar o acordo de maneira amigável, mostrando hesitação em hostilizar. Ela nomeou um tio de Busch como membro do conselho de diretores.   

A InBev prometeu manter a Budweiser como a bandeira da nova empresa, além de manter St. Louis como a sede da empresa na América do Norte.

Por MICHAEL J. de la MERCED

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