Analistas observam efeito Obama em eleições no Oriente Médio

BEIRUTE, Líbano - Há muitos motivos domésticos que justificam porque os eleitores deram a vitória a uma coalizão apoiada pelos americanos nas eleições parlamentares de domingo no Líbano - mas analistas políticos a atribuem em parte à campanha do presidente Barack Obama no mundo árabe e muçulmano.

The New York Times |

A maioria dos analistas previa que a coalizão liderada pelo Hezbollah, um crucial mediador de poder por conta do apoio da maioria  xiita da população libanesa, ganharia com folga. No final, no entanto, a coalizão alinhada aos Estados Unidos conquistou 71 cadeiras, enquanto a oposição alinhada à Síria e ao Irã conquistou 57.

É difícil obter conclusões precisas de uma eleição. Mas pela primeira vez em muito tempo, ser alinhado aos Estados Unidos não levou à derrota no Oriente Médio. Uma vez que o Líbano sempre representou um terreno crítico, isso pode significar uma mudança significativa na dinâmica da região que terá outra eleição geral daqui quatro dias, no Irã.

Com o discurso de Obama sobre as relações com os muçulmanos ainda fresco na memória dos eleitores libaneses, os analistas apontam medidas tomadas por sua gestão desde que ele assumiu o cargo.

Washington agora se propõe a falar com os líderes do Hezbollah, Irã e Síria, ao invés de confrontá-los - uma medida que prejudica a tentativa dos grupos de demonizar os Estados Unidos. O país já não pressiona seus aliados no governo libanês a um desarmamento unilateral do Hezbollah, que pode ter provocado a crise.

"O Líbano é um caso a ser estudado", disse Osama Safa, diretor do Centro de Estudos Políticos Libanês. "Já não é relevante aos extremistas usar o antiamericanismo. Parece que os Estados Unidos caminham para algo diferente e novo".

Na verdade, alguns analistas afirmam que é possível que as eleições libanesas possam dar indicações de como será a disputa de sexta-feira no Irã, onde o presidente antiamericano linha-dura, Mahmoud Ahmadinejad, pode perder terreno contra seu desafiante mais moderado, Mir Hussein Moussavi.

Os resultados no Líbano também podem dificultar que Israel capitalize sobre o medo do domínio do Hezbollah e desvie as atenções das negociações de paz com os palestinos - uma tática que muitos analistas atribuem ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"Eu acho que o discurso de Obama no Cairo representou um importante papel em neutralizar o antiamericanismo", disse Khalil Al-Dakhil, sociólogo da Arábia Saudita. "A mensagem foi positiva e conciliatória".



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