Pesquisas sobre a inteligência animal sempre me fazem questionar a inteligência humana. Considere os experimentos com drosófilas de Carl Zimmer, publicado no The New York Times na terça-feira. As drosófilas que foram ensinadas a ter mais inteligência que as outras viveram menos. Isso sugere que a luz de intensidade média brilha por mais tempo, que há uma vantagem em não ser terrivelmente brilhante.

A inteligência, aparentemente, é uma opção cara. Exige mais manutenção, queima mais combustível e fica mais distante da linha de largada pois depende do aprendizado - um processo gradativo - e não do instinto. Muitos outros animais são capazes de aprender, e uma das coisas que aparentemente aprenderam é quando parar.

Há algum valor adaptativo em limitar a inteligência? Essa é a pergunta por trás dessa nova pesquisa. Eu gosto. Ao invés de observar melancolicamente as espécies que ultrapassamos no passado em relação ao desenvolvimento do QI, simplesmente questiona os custos reais da nossa inteligência. Isso está na mente de todo animal que eu conheço.

Cada galinha que te observa de soslaio - que é a forma que todas o fazem - na verdade está dizendo mais diretamente o que Thoreau já afirmava: você está tentando resolver a vida com uma fórmula mais complicada do que o próprio problema. Thoreau mesmo não negaria que ele estava tentando recuperar o ponto de vista da galinha. Ele foi para o campo de Walden "para lembrar bem sua própria ignorância".

Pesquisas sobre a inteligência animal também me fazem questionar que experimentos eles poderiam realizar nos humanos caso tivessem a chance. Todo gato com um dono, por exemplo, está realizando um estudo de pequena escala em condições operantes. Eu acredito que se os animais coordenassem os laboratórios, iriam nos testar para saber o limite de nossa paciência, ou de nossa esperança, nossa memória para os terrenos. Eles tentariam decidir para que realmente serva inteligência nos seres humanos, e não apenas quanto dele existe. Acima de tudo, eles iriam querer estudar uma questão fundamental: Os humanos têm realmente consciência do mundo em que vivem? Até o momento os resultados são inconclusivos.

- VERLYN KLINKENBORG

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