Análise: discurso transpôs a história mas não se aproximou muito de Bush

WASHINGTON ¿ Embora em expressões de termos indiretos, o discurso inaugural de Barack Obama foi um completo repudio da era de George W. Bush e uma promessa de direcionar os EUA em uma ¿nova era¿ recuperando os valores de uma era mais antiga.

The New York Times |

Foi uma tarefa delicada, com Bush e o ex-vice-presidente, Dick Cheney, sentados perto de Obama enquanto ele descrevia objetivos equivocados e caminhos não tomados. Em suas palavras, Obama culpou ninguém mais do que o próprio país ¿ nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e a aceitação em suspender os ideais nacionais pelo amor ao lucro.

Mesmo assim, toda vez que Obama encorajou os norte-americanos a escolher uma história melhor, para tomar decisões de acordo com a ciência, ao invés, da ideologia, em rejeitar a falsa escolha entre a segurança e os ideais norte-americanos, reconhecer o poder militar dos EUA não nos coloca em posição de fazer o que quisermos, ele mostrou sinais de comprometimento ao pragmatismo, não apenas com uma estratégia de governo, mas com um valor básico.

De muitas maneiras, foi exatamente o que alguém esperaria de um homem que se conduziu ao cargo mais alto do planeta ao denunciar um excesso de zelo ideológico que tomou conta da nação. Mas o que foi surpreendente sobre seu discurso foi o quanto Obama enfatizou as escolhas dos EUA nesse momento da história, ao invés de falar sobre sua ascensão momentânea à presidência.

Muito do que ele fez durante sua campanha, ele raramente mencionou sua raça em seus primeiros momentos como 44º presidente dos Estados Unidos. Ele não precisou. As pessoas em volta disseram tudo assim que ele deu os passos em direção ao prédio do Capitólio construído pelas mãos dos escravos e assim que ele colocou a mão sobre a Bíblia usada pela última vez pelo Grande Libertador, Abraham Lincoln.

Ao invés disso, ele falou, com ecos de Churchill, dos desafios de comandar uma nação importunada pelo que ele chamou de reunião de nuvens e grandes tempestades. E como um estudante dos discursos inaugurais passados, ele sabia o que precisava executar. Ele evocou um pedido claro e estridente por uma união nacional que Lincoln tornou a parte central de seu segundo discurso inaugural em 1865.

Ele introduziu um pouco do senso de otimismo e paciência que ressoou no primeiro discurso de Franklin Roosevelt em 1933, enquanto os EUA confrontava os piores momentos da Grande Depressão.

E, finalmente, ele lembrou a combinação da inspiração nacional e a firmeza de John Kennedy naquele mesmo local, seis meses antes de Obama nascer.

Enquanto sua voz e sua imagem ressoavam pelo Mall, Obama falou para muitas gerações que se esticavam até o Monumento de Washington e mais além. Misturados com a multidão estavam as pessoas restantes da geração da Segunda Guerra Mundial, entre eles os Tuskeegee Airmen (grupo de pilotos afro-americanos), para quem Jim Crow era uma presença diária de que esse dia parecia inimaginável.


Por DAVID E. SANGER

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