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Americanos debatem autocontágio pela gripe suína

Pegar a gripe suína deliberadamente? O que parece um absurdo (procurar pelo contágio ao invés de evitá-lo) está no centro do debate entre especialistas em gripe e em sites sobre o assunto.

The New York Times |


Especialistas em doenças contagiosas dizem entender a lógica: sobreviver ao vírus atual e aparentemente mediano pode servir como proteção contra a nova gripe que deve atingir o mundo no outono. Mas eles geralmente se posicionam contra a medida.

A Dr. Anne Moscona, especialista em gripe da Faculdade de Medicina Weill da Universidade de Cornell, disse ter recebido o telefonema de uma repórter de uma revista feminina "questionando se as mães devem fazer festas da 'gripe suína', como fazem com a catapora".

Festas da catapora, nas quais crianças se reúnem para que sejam contaminadas por uma que tenha a doença, geralmente são realizadas por pais que desconfiam das vacinas contra a catapora ou querem que seus filhos tenham um sistema imunológico mais forte que advém de sobreviver a infecções completas e estão dispostos aos riscos de possíveis complicações.

"Eu acho que isso é uma loucura", disse Moscona. "Eu não acredito que as pessoas realmente pensem em fazer algo parecido. Eu entendo o raciocínio, mas temo que não sabemos o suficiente sobre como este vírus reage em cada indivíduo. Esta ideia parece da Idade Média, quando as pessoas pegavam varíola de propósito. É praticamente uma vacina de guerrilha - ou tomar a imunização nas próprias mãos".

Reuters
Usando máscara, homem limpa sala de aula vazia no Texas

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A ideia surgiu da história da Gripe Espanhola de 1918. Uma epidemia leve da doença na primavera foi seguida de duas ondas mortais no começo e final do inverno de 1918-1919. Alguns acreditam, apesar de haver pouca evidência além de relatos em jornais da época, que aqueles que ficaram doentes inicialmente tiverem menor propensão ao vírus mais forte.

Quem brinca com esta ideia de autocontágio pelo atual vírus H1N1 da "gripe suína" que circula pelo mundo duvida que haverá vacina o suficiente para parar a disseminação caso ele retorne, especialmente se misturar material genético com o vírus H5N1 ou conseguir resistência ao remédio Tamiflu.

O Dr. Andrew T. Pavia, líder da força tarefa contra a pandemia de influenza da Sociedade de Doenças Contagiosas da América, se opõe ao autocontágio.

"Há vinte anos, pode ser que fizesse algum sentido", ele disse, "e ser infectado pelo vírus da primavera de 1918 provavelmente teria sido uma forma de proteção". Mas ao ser deliberadamente infectado "na verdade você entra em território desconhecido", ele disse.

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