Americanos aprendem a compartilhar melhor graças à internet

Hábitos de colaboração e coletividade online estão começando a encontrar expressão no mundo real

The New York Times |

Os americanos sabem compartilhar? Ou, pelo menos, não roubar?

Essa pergunta pairava sobre as filas de bicicletas vermelhas idênticas estacionadas na semana passada para o lançamento do Capital Bikeshare, em Washington, o maior programa de compartilhamento de bicicletas dos Estados Unidos. Programas similares também foram lançados este ano em Denver e Minneapolis, e outro deve ser iniciado em Miami neste outono.

Paralelamente à iniciativa, companhias com nomes como SnapGoods, Share Some Sugar e NeighborGoods estão tentando fazer dinheiro usando redes sociais para que as pessoas tomem emprestado ou emprestem suas coisas, gratuitamente ou pagando uma taxa. Essas empresas querem entrar para uma lista familiar – que inclui companhias como Netflix, Zipcar e Pandora – formada por aquelas que concedem acesso a bens e serviços, ao invés de vendê-los.

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Programas como o Capital Bikeshare refletem colaboração online
Mas a questão é saber se a maioria dos consumidores aceitaria a propriedade de tempo compartilhado de uma bicicleta ou de um liquidificador. Depois de um programa de compartilhamento de bicicletas que começou em Denver, um candidato a governador do Colorado atacou o programa como antiamericano.

Mas alguns estudiosos afirmam que a internet – ao promover a colaboração em uma plataforma comum aberta – mudou a forma como os americanos pensam sobre o compartilhamento e a apropriação. Hábitos de colaboração online estão começando a encontrar expressão no mundo real.

Histórico

O compartilhamento de bicicletas não é nada novo. Os primeiros esforços neste sentido, começando com bicicletas compartilhadas em campi universitários nos anos 60 e início dos anos 70, baseou-se principalmente na confiança. Esse modelo funcionou em algumas pequenas cidades como Crested Butte, Colorado, mas tendem a entrar em colapso rapidamente em ambientes urbanos.

Os programas de compartilhamento de bicicletas que agora se espalham por cidades como Paris, Washington e Hangzhou, na China, seguem um modelo de assinatura e rastreamento eletrônico de uso para evitar o roubo. Em contraste, campi universitários utilizam um modelo de biblioteca, com bicicletas emprestadas por longos períodos de tempo.

Como na maioria dos programas de compartilhamento, um cartão de crédito é necessário para garantia. Também pode haver cotas e tarifas de uso cada vez maiores - os primeiros 30 minutos são, em geral, gratuitos. Assim, embora seja um modelo de compartilhamento, seu sucesso é baseado na tecnologia – e em um depósito.

Além disso, ainda no caso das bicicletas compartilhadas, sua sustentabilidade está em questão. Em Paris, o vandalismo e o roubo têm assolado o programa de bicicletas da cidade, iniciado em 2007, com a maioria de suas 20 mil bicicletas necessitando de reparos ou substituição.

Em homenagem ao nosso lado mais obscuro, alguns defensores do compartilhamento estão apostando que o sucesso se baseia, também, no autointeresse.

"Compartilhar exclui todas as dores de cabeça da propriedade e as pessoas veem isso muito claramente", disse Parry Burnap, diretor executivo do Denver Bike Sharing, uma organização sem fins lucrativos que executa o programa de compartilhamento de bicicletas dessa cidade.

*Por J. David Goodman

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