Americanas muçulmanas buscam alternativas para se exercitar

NOVA YORK - Na primeira vez que Julia Shearson usou uma bicicleta depois de se converter ao Islã, há sete anos, o lenço que usava sobre a cabeça ficou preso na roda. Ela perdeu o equilíbrio e quando conseguiu recuperar o ritmo teve que enfrentar olhares de estranheza por causa de seus braços e pernas envoltos em tecidos soltos, além do lenço que cobria seu cabelo.

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Você tem que superar os olhares, disse Shearson, 43, diretora executiva do capítulo de Cleveland do Conselho de Relações Americanas-Islâmicas. Se exercitar já é difícil, se você parece diferente... é pior ainda.

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Muçulmanas fazem alongamento ao ar livre em parque dos Estados Unidos

Como uma mulher muçulmana nos Estados Unidos, Shearson tem achado difícil manter a forma enquanto respeita seus princípios religiosos sobre a modéstia. O Islã não restringe as mulheres de se exercitar [na verdade todos os muçulmanos são encorajados a cuidar de seus corpos através de exercícios e alimentação saudável], mas elas enfrentam inúmeros desafios em uma cultura de academias mistas e de roupas ousadas.

Muitas muçulmanas fieis nos Estados Unidos, como Shearson, usam o hijab em público, vestuários soltos que cobrem seu cabelo e corpo, que podem impedir os movimentos e incomodar durante os exercícios. [As mulheres muçulmanas podem mostrar seus cabelos, braços e pernas até os joelhos diante de outras mulheres].

Algumas americanas muçulmanas frequentam academias apenas para mulheres, como a Curves, que tem milhares de filiais em todo o país. Algumas outras academias oferecem áreas segregadas em alguns horários.

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Americanas muçulmanas se exercitam em academia usando os trajes obrigatórios

Umm Sahir Ameer, uma estudante de 27 anos de Shaker Heights, Ohio, decidiu resolver o assunto. No ano passado, ela começou o grupo Muslimah Strive de corrida e caminhada para que ela e 12 amigas pudessem se exercitar juntas.

Eu quis estabelecer este grupo para unir as mulheres muçulmanas da minha comunidade e ganhar resistência física, ela disse.

Aquelas que se exercitam em academias comuns fazem arranjos em suas roupas. Loretta Riggs, 40, treinadora educacional de Pittsburgh, usa uma echarpe feita de spandex, camisas de mangas soltas e calças de moletom.

Algumas mulheres não acham que eu deveria malhar em academias comuns, ela disse, mas eu também estou cercada por homens em meu trabalho, quando levo meus filhos ao parque, quando caminho pelas ruas.

Ela acrescentou: Por que eu me privaria de ser saudável só porque sou muçulmana e opto por me cobrir? É muito importante cuidar de mim mesma.

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