Ambiente de trabalho espelha relacionamentos familiares, dizem especialistas

O piadista. A maternal. O rei. O rebelde. A fofoqueira. O pacificador. O malandro. Qualquer um que viva em um ambiente de trabalho pode reconhecer pelo menos uma dessas personagens no seu vizinho de cubículo.

The New York Times |

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Mas os papéis representados no ambiente de trabalho e a dinâmica entre os colegas pode ser muito mais profunda do que estes estereótipos quase superficiais, especialmente em um país onde muitas pessoas passam tanto tempo com os colegas de trabalho quanto com seus familiares, onde o escritório geralmente espelha a família.

Um chefe não é apenas um chefe, na opinião de muitos psicólogos que estudam os papéis representados no ambiente de trabalho, ele pode substituir um pai distante e desaprovador. Uma gerente imprevisível, facilmente irritável, pode esconder uma mãe rejeitadora. Colegas que competem pela atenção do chefe (ou por méritos e bônus) são irmãos rivais.

Também há, é claro, o companheiro do ambiente de trabalho, aquele colega do sexo oposto que compartilha uma espécie de proximidade conseguida apenas através da intensa experiência de longas semanas sob o mesmo teto.

Ajuda psicológica

Com todo o stress e a incerteza da crise econômica, algumas companhias, com a ajuda de empresas e psicólogos, mergulham nas profundezas destes sentimentos e papéis, tentando medir seu efeito em um momento em que as emoções estão em alta. Cada vez mais psicólogos e treinadores executivos observam a influência da ordem do nascimento e outros papéis familiares e nichos sobre o comportamento no ambiente de trabalho.

"Trabalho não é nada além de uma complexa rede de relacionamentos", disse Michael W. Norris, psicólogo clínico de Los Angeles, que coordena grupos de estudo sobre  liderança mensalmente e sessões individuais com executivos. "Você tem parceiros que são seus iguais, subordinados, superiores", disse Norris. "Seus pais e irmãos. Todas essas dinâmicas que são exatamente as mesmas do ambiente de trabalho, apenas os títulos mudam".

Na atual recessão, com os orçamentos corporativos encolhendo, os gastos com aconselhamento psicológico devem ser cortados ou eliminados, segundo diversos psicólogos. Mas outros consultores dizem que ainda recebem muito trabalho de companhias em crise, principalmente as que enfrentam a possibilidade de ter que demitir funcionários ou fundir com outras companhias.

Heather Amber Anderson, consultora de gerenciamento baseada em Stowe, Vermont, que fala regularmente a grupos de executivos de pequenas e médias companhias, afirmou que tem dito nas últimas palestras que analisar o papel representado por cada um no ambiente de trabalho é ainda mais importante agora.

"Isso é mais crítico agora do que nunca", ela disse que tem aconselhado aos executivos. "As pessoas observam vocês para determinar o tom emocional de sua organização. Esta é uma das conversas mais importantes que vocês precisam ter com vocês mesmos".

Por SARAH KERSHAW

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