Alta do dólar beneficia EUA mas piora crise no exterior

Enquanto o mundo é tomado por ansiedade diante da contínua crise financeira, o único lugar que está conseguindo atrair dinheiro com mais facilidade é, perversamente, o mesmo que deu início a todo o problema: os Estados Unidos.

The New York Times |

Investidores americanos estão abandonando empreendimentos no exterior e trazendo seus dólares para casa, confiando-os à suposta segurança das ações americanas. Além disso, a China continua a comprar enormes quantidades da dívida americana.

Estas ações estão elevando o valor do dólar e oferecendo à gestão Obama uma infusão crucial de financiamento conforme direciona trilhões de dólares ao resgate de bancos e ao estímulo da economia, permitindo que o governo pague por estes esforços sem aumentar as taxas de juros.

No entanto, em uma economia global sitiada por uma prejudicial falta de confiança e capital, com os mecanismos de empréstimo e financiamento disfuncionais de Milão à Manila, a inclinação do dinheiro para os Estados Unidos parece exacerbar a crise em outros locais.

A busca por capital subitamente parece um jogo de valor nulo. Um dólar investido por bancos centrais estrangeiros e investidores em ações do governo americano é um dólar que não está disponível para países do leste europeu que precisam desesperadamente refinanciar sua dívida. Este é um dólar que não chegará à África, onde muitos países lutam com a perda da ajuda externa e do investimento estrangeiro.

"Quase todos os países de pouca renda estão em sérias dificuldades", disse Eswar Prasad, ex-oficial do Fundo Monetário Internacional e professor da Instituição Brookings, organização de pesquisa liberal de Washington.

"Esta é a terceira onda de crise financeira", ele disse. "Países de baixa renda estão sendo gravemente atingidos. O fluxo de capital para os mercados emergentes secou".

O investimento de dinheiro privado em países ditos emergentes despencou de US$ 928 bilhões em 2007 para US$ 466 bilhões no ano passado e deve ficar em torno de US$ 165 bilhões este ano, de acordo com o Instituto Internacional de Finanças.

Isso não quer dizer que os Estados Unidos estão gozando de um enorme fluxo de dinheiro. Globalmente, os investidores se seguram ao dinheiro e o recolhem de empreendimentos arriscados o mais rápido possível.

Nos Estados Unidos, os investimentos estrangeiros diminuíram visivelmente. Mas conforme os americanos se abstêm de acordos estrangeiros e mantêm seus dólares em casa, e os bancos centrais estrangeiros (especialmente o da China) compram contas do Tesouro, os Estados Unidos absorvem dinheiro que costumava ser distribuído por todo o mundo. Isso, por sua vez, torna a verba escassa no restante do mundo.

Por PETER S. GOODMAN

Leia mais sobre crise financeira

    Leia tudo sobre: crise financeira

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG