Alguns dizem que o assassino do médico não é o único culpado

O Dr. George R. Tiller tinha muitos críticos, mas o mais conhecido era Bill O´Reilly, o âncora da emissora Fox News. O´Reilly, que se opõe publicamente ao aborto, frequentemente o chamava de ¿Tiller the baby killer¿ (Tiller, o assassino de bebês, em tradução livre) por realizar abortos em mulheres em gravidez avançada e disse, repetidamente, que ele tinha ¿sangue em suas mãos¿.

The New York Times |

 Horas após os disparos que mataram Tiller, neste domingo, O´Reilly se viu sob o ataque de jornalistas liberais e blogueiros que o acusaram de incitar a violência. Na segunda-feira de manhã, alguns websites perguntavam, como a newsletter da rádio Air America fez, Será que Bill O´Reilly pode ser culpado pelo assassinato do médico de Kansas?

O jornalista respondeu aos críticos em seu programa na noite de segunda, dizendo que americanos com bons pensamentos deveriam condenar o assassinato. Ele defendeu suas observações sobre Tiller, declarando que cada coisa que dissemos sobre Tiller é verdade e minha análise foi baseada naqueles fatos.

Apontar culpados não é novidade, mas a natureza das acusações feitas a O´Reilly mostraram a rapidez e o estrondo com o qual esse jogo de culpa é jogado.

Após nove horas da morte de Tiller, a revista Salon havia catalogado as referências a ele nos 29 episódios de The O´Reilly Factor, de 2005 a 2009. Em uma delas, O´Reilly conversa sobre a vítima e os legisladores que apoiam seu negócio de destruição, dizendo que não queria ser uma dessas pessoas se fosse o dia do julgamento.

Blogueiros rapidamente encontraram novas condenações de O´Reilly feitas à Tiller. Um comentarista do Daily Kos apontou que jornalista certa vez mandou um produtor armar uma cilada para o médico em sua casa, no Kansas. Depois o enviado lhe disse que algumas pessoas o chamaram de assassino de bebê, que o médico tentou deixar a casa e chamou a emergência. A equipe de câmera acabou com o confronto.

Nesta segunda, a Media Matters for America, um grupo esquerdista que cataloga o que chamam de discursos conservadores de ódio, publicou em 2006 um pedaço de um programa de rádio no qual O´Reilly dizia se eu pudesse pôr minhas mãos em Tiller, seguido rapidamente por: bem, você sabe. Não se pode ser um vigilante. Não se pode fazer isso. É apenas uma maneira de falar.

O´Reilly chama bastante atenção porque foi listado como um dos âncoras mais populares da rede à cabo nos últimos sete anos. Junto às críticas há questões sobre a responsabilidade da mídia. O blogueiro Andrew Sullivan lembrou que o caso poderia acabar com o perigoso e demoníaco jogo de O´Reilly.

Na noite de segunda-feira, O´Reilly negou essas questões, dizendo, ao invés disso, que os fanáticos de extrema esquerda e os inimigos da Fox News estavam explorando a morte de Tiller ao se dirigir a seu comentários. Ao citar estimativas publicadas por The Washington Times de que Tiller tinha realizado 60 mil abortos, ele se admirou porque os críticos não estavam escrevendo sobre os 60 mil fetos que nunca se tornarão cidadãos americanos.

As postagens exaustivas do blog e vídeo de montagens dos comentários de O´Reilly sobre Tiller foram enraizados a uma relação familiar para designar a culpa, particularmente no grande debate sobre o aborto, de acordo com analistas.

Burt Neuborne, um professor de direito da Universidade de Nova York e ex-diretor legal da União de Liberdades Civis dos Americanos, disse que o debate não é novo, mas a habilidade de levantar fragmentos de discursos por meio da tecnologia é.

Neuborne disse que a linguagem de um comentarista, não importa o quanto floreada, geralmente não pode ser tratada como um incitamento ao menos que instrua diretamente o indivíduo a cometer uma violência.

Em cada cenário político complexo, há uma tendência de selecionar os mais barulhentos da oposição e afirmar que o que estão fazendo não é discurso político, mas sim incitamento, disse. É importante não permitir que isso aconteça. Isso teria um efeito dramático na habilidade de falar vigorosamente.

Por BRIAN STELTER

Leia também:


Leia mais sobre aborto

    Leia tudo sobre: aborto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG