Alemanha faz incursão contra extremismo islâmico em três Estados

Autoridades mudam estratégia e priorizam indivíduos extremistas muçulmanos em vez de grupos nacionalistas de direita e neonazistas

The New York Times |

O Ministério do Interior alemão ordenou incursões simultâneas em três Estados na terça-feira da semana passada contra o que chamou de redes salafistas suspeita de buscar a imposição de um Estado islâmico no país. A ação sinalizou crescente preocupação com as mensagens radicais de alguns grupos islâmicos.

Os ataques, em Bremen, na Saxônia e na Renânia do Norte-Vestfália, não tiveram ligação com o alerta de terrorismo recentemente inspirado por telefonemas de um homem que disse que queria parar de trabalhar com terroristas e que alertou para um ataque no estilo daquele realizado em Mumbai, segundo o Ministério do Interior.

Segundo a declaração do ministério, os ataques foram dirigidos a dois grupos – o Convite para o Paraíso, atuante nas cidades de Brunswick e Moenchengladbach, e o Centro de Cultura Islâmica de Bremen, na costa do Mar do Norte. Os dois grupos trabalham em conjunto e compartilham a mesma ideologia. As autoridades estão tentando banir os dois grupos.

Extremismo

Os ataques pareciam representar um ponto de partida para as autoridades alemãs nas suas relações com grupos radicais muçulmanos. Eles foram conduzidos sob a autoridade das leis promulgadas no pós-guerra que buscam garantir contra a derrubada do Estado ou da Constituição por grupos extremistas.

Anteriormente, os estatutos haviam sido invocados principalmente contra os nacionalistas de direita e grupos neonazistas, mas agora a inteligência alemã tem se concentrado principalmente nos extremistas muçulmanos individuais em vez de grupos.

A declaração do ministério destacou essa mudança de abordagem. "Para uma democracia bem fortificada, é necessário agir contra organizações anticonstitucionais sem esperar que a jihad tome a forma de luta armada", disse o comunicado.

A declaração disse que os grupos são suspeitos de se opor à ordem constitucional, buscando "derrubá-la em favor de uma teocracia islâmica". Não havia nenhuma indicação de que prisões tenham sido realizadas. "O grupo é muito influente e é especialmente ativo na conversão de pessoas", disse um oficial de segurança sênior da Alemanha sob condição de anonimato porque a investigação ainda está em andamento.

Ex-boxeador

A figura mais conhecida do grupo é um cidadão alemão, Pierre Vogel, ex-boxeador que se converteu ao islã. "Eles têm o objetivo de mudar a Alemanha e torná-la islâmica, mas não há nenhuma evidência de que estiveram ou estejam envolvidos em qualquer tipo de terrorismo", disse o oficial.

A declaração do Ministério do Interior, assinada pelo porta-voz Stefan Paris, afirma que um dos líderes do Convite ao Paraíso havia pedido a imposição da sharia (lei islâmica), acrescentando que as incursões foram realizadas sob as leis de associação da Alemanha. A declaração, no entanto, atesta que ainda é preciso confirmar se as incursões confirmaram as suspeitas sobre as intenções dos grupos.

*Por Alan Cowell e Michael Slackman

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