Alemanha enfrenta críticas por sua reação ao surto de E. coli

Autoridades são acusadas de má administração diante crise decorrente da epidemia que matou ao menos 24 na Europa

The New York Times |

O governo alemão foi duramente atacado na terça-feira por críticos nacionais e estrangeiros que acusam o país de má administração da crise em torno do surto de E. coli, que já matou ao menos 24 pessoas.

Enquanto isso, oficiais alemães relataram uma leve queda na taxa de novas infecções. "Há muito que sugere que nós deixamos o pior para trás", disse Daniel Bahr, o ministro de saúde federal. Ainda assim, os oficiais disseram não saber a origem do surto.

AP
Vendedor de rua é visto perto de pepinos expostos para venda do lado de fora de mercado de Berlim, Alemanha
Segundo o Instituto Robert Koch, a agência alemã de controle de doenças, até a terça-feira, 2.325 casos confirmados e suspeitos de infecção por E. coli haviam sido relatados em toda a Alemanha desde o início de maio, cerca de 642 deles envolvendo uma espécie mais virulenta e potencialmente letal que afeta os rins e o sistema nervoso.

De acordo com o Instituto Robert Koch, ao menos16 das mortes aconteceram por causa de complicações.

Os níveis de novos casos "sugerem uma ligeira redução no número de casos" que estão sendo relatados, disse o instituto em seu site. "Não se pode atualmente determinar se essa redução vai continuar”. Mas a extensão do surto – que se espalha por toda a Alemanha –, parece clara. Dados compilados pela agência de notícias alemã DPA, com base em estatísticas de Estados individuais, colocam o total de casos confirmados e suspeitos em torno de 3 mil – muito mais do que a avaliação do Instituto Robert Koch.

Em Luxemburgo, ministros da Agricultura europeus se reuniram na terça-feira para negociar a compensação para os agricultores, cujas vendas estão em queda desde a divulgação de advertências alemãs – depois julgadas improcedentes – de que o surto teve origem em pepino, tomate e alface cultivados na Espanha. Não foi alcançado um acordo sobre os valores.

No domingo a suspeita passou para brotos de feijão de uma fazenda do norte da Alemanha, apenas para os cientistas relatarem na segunda-feira que os testes em 23 das 40 amostras da instalação tiveram resultados negativos. Um pacote suspeito de brotos de feijão encontrado vencido no fundo da geladeira de uma paciente contaminada com a bactéria E. coli também não mostrou indícios de contaminação, segundo as autoridades sanitárias de Hamburgo.

"Os consumidores foram deixados na mão", disse Claudia Roth, líder do Partido Verde, da oposição, percebendo vantagem adicional após os sucessos políticos nas eleições regionais que levou a chanceler Angela Merkel a abandoner uma política de energia nuclear que há muito defendia com vigor.

Cortes

O surto da bactéria E. coli aumentou os problemas da Europa, que enfrenta uma crise de dívida teimosa, obrigando muitos governos a buscar cortes de gastos em instituições públicas, incluindo hospitais. Diante da pressão sobre unidades de terapia intensiva lidarem com centenas de pacientes, disse Georg Baum, chefe da Federação Alemã de Hospitais, "faço um apelo aos políticos para reverem os cortes financeiros previstos para os hospitais”.

"Temos vendido 35% menos produtos frescos desde o alerta sobre os alimentos", disse Roman Spirin, de um supermercado no bairro de Charlottenburg, em Berlim. "Então é claro que compramos menos. Nós conseguimos regular isso muito bem – quanto menos os clientes compram de nós, menos nós compramos dos produtores. O verdadeiro problema é deles, que simplesmente têm de destruir os seus produtos”.

Em uma escala maior, a Rússia – um enorme mercado para os produtos agrícolas da União Europeia – proibiu todas as importações na semana passada. Além diss, alguns agricultores tomaram medidas incomuns para se livrar das colheitas.

Com a Alemanha alertando se povo para que não consuma couve, pepino, tomate e alface, uma notícia não confirmada em um jornal holandês afirmava que um agricultor holandês, que não tinha sido capaz de vender seus pepinos aos seus clientes habituais no norte da Alemanha, doou uma tonelada deles para um zoológico local para alimentar os elefantes.

*Por Alan Cowell

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