Alemanha dá fim ao serviço militar obrigatório

Iniciativa contra obrigatoriedade que começou em 1957 abre caminho para Forças Armadas mais enxutas e controladas

The New York Times |

A Alemanha interrompeu formalmente a obrigação do serviço militar à meia-noite de quinta-feira. A iniciativa abre caminho para um Exército menor e mais controlado, que busca atrair voluntários como Johannes Beckert e Stadler Steven - dois jovens alemães que se inscreveram voluntariamente para o serviço militar em um vasto centro de recrutamento no interior do país, onde antes ficava a agência de espionagem da antiga Alemanha Oriental.

Os dois homens fazem parte de uma evolução militar que abrange mais de meio século e teve início no rearmamento da Alemanha dividida dos anos 50, passou pela Guerra Fria, que colocou centenas de milhares de jovens soldados alemães em ambos os lados da Cortina de Ferro, e chegou à reunificação com a criação de um Exército único.

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Johannes Beckert, que se alistou voluntariamente para as Forças Armadas, no escritório da Defesa alemã em Berlim
A Alemanha ocidental adotou o serviço militar obrigatório em 1957 por períodos que variaram de seis meses a 18 meses, disse o tenente-coronel Kai Schlolaut, porta-voz do Ministério da Defesa.

Desde o início, o recrutamento era visto como um meio constitucional de evitar o militarismo do passado, criando "cidadãos em uniforme" para ligar as Forças Armadas ao resto da sociedade. Todos eram obrigados a servir.

Então, no ano passado, o ex-ministro da Defesa Karl-Theodor zu Guttenberg revelou planos para reformar as Forças Armadas, diminuindo seu quadro de 220 mil soldados e 76 mil funcionários civis de apoio a um máximo de 185 mil uniformizados e 55 mil civis. "Nós queremos Forças Armadas mais flexíveis e profissionais", disse Schlolaut.

Impacto

Para os aliados da Alemanha, a mudança para Forças Armadas por voluntários não deve ter um impacto imediato na prontidão irregular de Berlim em mobilizar soldados para o exterior. Durante anos a Alemanha tem relutado em embarcar em aventuras militares no exterior que possam conjurar fantasmas históricos das divisões de Hitler na Segunda Guerra Mundial.

Embora tropas alemãs estejam estacionadas no norte do Afeganistão, Berlim se absteve na votação do Conselho de Segurança da ONU, em março, que autorizou a campanha aérea contra a Líbia. Mais recentemente, a Alemanha informou estar preparada para fornecer algumas munições não especificadas para o esforço da Otan.

Mas, segundo Christian Moelling, pesquisadora do grupo Wissenschaft und Politik Stiftung, "nunca houve qualquer argumento de que não devemos entrar em uma operação por causa do serviço militar obrigatório. Estamos falando de uma coisa muito mais profundamente enraizada. A abolição do serviço militar obrigatório não muda como o país pensa”.

*Por Alan Cowell

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