Alemães levam sua paixão por linguiças para as ruas

BERLIM - Juergen Schuler geralmente fica diante da histórica estação de trem Friedrichstrasse de Berlim com um tanque de propano inflamável amarrado às costas. Mas se um policial se aproxima dele, é apenas para comprar uma linguiça aquecida nas chamas suspensas por seus ombros.

The New York Times |

NYT

Menino compra linguiça de vendedor ambulante,
trabalho comum nas ruas de Berlim

Schuler trabalha como um Grillwalker, uma máquina de esquentar linguiça para uma pessoa. Ele e seus colegas são vistos pela capital, virando suas linguiças douradas com pinças e tentando pedestres com o cheiro que emana das grelhas.

O vendedor itinerante tem tanto êxito aqui que já surgiram imitadores, levando os jornais locais a declarar a "Guerra das Linguiças", em locais tão famosos quanto Alexanderplatz, cheios de pessoas e possíveis clientes, onde originais e cópias concorrem cabeça por cabeça.

Também é um sinal da seriedade com a qual os alemães tratam a iguaria. Arquivos mostram que a linguiça turíngia data de pelo menos 1432, e em uma cidade onde um museu inteiramente dedicado a outro favorito do local, o curry de linguiça, foi inaugurado em agosto.

Eles são um sucesso com transeuntes locais graças ao preço baixo - cerca de US$ 1,75 por linguiça com um pequeno pão, mostarda e catchup.

Turistas desacostumados a ver uma cozinha passear sobre dois pés olham incrédulos e tiram fotos. Schuler estima que seja fotografado mais de 30 vezes por dia.

Grillwalkers como Schuler chamam a atenção com seus guarda-chuvas laranjas que os protegem do sol no severo verão e da chuva e frio que começam a atingir a cidade no começo do outono.

NYT

Vendedor ambulante entre passantes em Berlim

"Oh, ficam tão felizes. Eles acham engraçado", disse Schuler, 37, a respeito dos turistas. Mas outros contestam o que vêem como condições de trabalho desumanas. "Eles dizem, 'homem, coloque isto no chão. Pense sobre sua saúde'", conta Schuler.

Mas Schuler diz que se considera afortunado em ser um Grillwalker, depois de ter vindo para Berlim porque não havia nenhum emprego na cidade oriental vizinha de Eggesin, onde cresceu.

Ele disse que já carregou fardos muito mais pesados do que a grelha, que pesa 20 quilos quando completamente carregada, quando trabalhou com construção, e que ganha muito mais dinheiro agora.

Nem todos gostam da ideia, principalmente as barracas, que têm uma variedade maior, mas custos fixos mais altos e, portanto, linguiças mais caras.

Um cliente do Grillwalker afirma que há vantagens em ver as linguiças cozinhando.

"Eu não penso que é anti-higiênico", diz Lydia Eiglsperger, 41, uma turista da Bavária em férias na capital alemã que comprou uma linguiça para cada uma de suas crianças. "De pé lá fora, eles não podem esconder nada".


Leia mais sobre Alemanha

    Leia tudo sobre: alemanhalinguiçavendedor

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG