Além das sanções contra o Irã, planos B, C, D...

Esforços adicionais contra o Irã incluem contenção militar e uma operação da CIA conhecida como "Braindrain Project"

The New York Times |

Ninguém no governo Obama acredita que somente a nova rodada de sanções contra o Irã forçará Teerã a parar sua busca por uma capacidade nuclear. Então, o que o presidente Barack Obama planeja fazer se, como todos esperam, essas sanções fracassarem da mesma forma que as três anteriores?

Existe um plano B - na verdade, planos B, C e D -, partes dos quais já são sentidos no Golfo Pérsico. Eles incluem contingência militar e uma operação conhecida na CIA como "Braindrain Project" (Projeto de Cooptação de Cérebros, em tradução livre), que busca atrair os talentos nucleares do Irã.

Até onde se sabe, Obama ampliou o programa secreto da era Bush para minar a infraestrutura de armas nucleares do Irã e fez uso diplomático silencioso da ameaça de Israel em tomar ações militares caso diplomacia e pressão não funcionem.

The New York Times
Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad (centro), visita a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, a 322 km de Teerã (08/04/2008)
Mas, quando se questionam os criadores desses programas sobre seus resultados, eles dizem que "não são o suficiente". Em conjunto, segundo as autoridades, eles podem desacelerar o progresso iraniano em obter armas nucleares, que já encontrou problemas técnicos maiores do que qualquer um esperava. 

Se a pressão aumentar, o Irã pode ser levado à mesa de negociações, o que país tem evitado desde que Obama chegou ao governo oferecendo "engajamento". Mas Obama reconhece que "sabemos que o governo iraniano não mudará seu comportamento da noite para o dia" e chega a descrever como as sanções podem criar "custos cada vez maiores".

Essa análise soa como uma combinação de pragmatismo e paciência que Obama tentou fazer marca de sua política externa. Mas, no caso do Irã, ele está correndo contra o relógio. Depois que o Irã passar de um certo ponto, pode ser impossível saber quando dará o último passo na fabricação de uma arma.

A necessidade de confrontar decisões difíceis parece ser a mensagem final de um memorando secreto que o secretário da Defesa Robert M. Gates enviou à Casa Branca em janeiro, no qual questiona quais serão as táticas e estratégias futuras pressupondo que a quarta rodada de sanções seja ineficiente.

Ainda que depois Gates tenha afirmado que o memorando foi um esforço rotineiro de planejamento, alguns oficiais o interpretaram como uma tentativa de forçar um debate sobre as questões mais difíceis pertinentes a esse assunto.

Os conselheiros de Obama dizem saber que as sanções são uma ferramenta limitada, e as opções militares são a última e mais arriscada escolha, por isso optaram por outras. O sistema antimísseis dos EUA foi silenciosamente instalado em países árabes em torno do Golfo Pérsico. Essa é uma postura de contingência clássica, mas pouco eficaz contra um programa nuclear.

Ainda que o Irã tenha um arsenal de mísseis convencionais cada vez maior, especialistas em inteligência militar acreditam que serão precisos muitos anos até que possam colocar uma arma nuclear no topo de um míssil.

No entanto, eles temem uma arma que possa ser entregue ao Hamas ou Hezbollah em um caminhão, o que seria uma ameaça à qual os sistemas antimísseis não estão habituados.

* Por David E. Sanger

    Leia tudo sobre: Armas nuclearesEUAIrãprograma nuclearBrasilsanções

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG