Alegrias e dúvidas irrompem no Iêmen depois de saída de presidente

Oposição comemora e facções rivais tentam tomar espaço diante da ausência de Ali Abdullah Saleh, que foi para a Arábia Saudita

The New York Times |

Milhares de manifestantes saíram às ruas da capital do Iêmen para comemorar a saída do presidente Ali Abdullah Saleh para tratamento médico, apesar da incerteza sobre quando – e até mesmo se – ele aceitaria uma transferência do poder definitiva.

Saleh, que tem resistido aos pedidos para que deixe o cargo há muitos meses, deixou o país às pressas no sábado a caminho da Arábia Saudita, onde foi operado por causa de ferimentos sofridos em um ataque feito a seu complexo presidencial no dia anterior.

AP
Em Sanaa, crianças iemenitas celebram saíde de Ali Abdullah Saleh para a Arábia Saudita
Mas no domingo, assessores insistiram que ele estava se recuperando bem e poderia voltar para casa nas próximas semanas, ou mesmo dias. "Ele está acordado e consciente, ele está no controle", disse um assessor próximo, que estava com ele durante o ataque de sexta-feira, provavelmente realizado com um morteiro ou foguete, e está sendo tratado no mesmo hospital militar em Riad.

Saleh e seus assessores são políticos sagazes e é possível que estejam tentando simplesmente conseguir o melhor negócio para o presidente sair depois de 33 anos de poder autocrático.

Turbulência

Havia sinais preocupantes no domingo de que as turbulências no Iêmen estão longe de terminar. Apesar de um cessar-fogo para acabar com os intensos combates na capital entre forças do governo e seus opositores tribais ter sido em grande parte respeitado, morteiros ainda podiam ser ouvidos em pelo menos um bairro.

E apesar de uma autoridade iemenita ter dito que alguns membros da família parecem ter deixado a capital Sanaa com Saleh, no sábado, vários filhos e sobrinhos que controlam os poderosos serviços militares e e de inteligência ficaram para trás.

O vice-presidente Abd Al-Rab Mansur Al-Hadi, assumiu como líder temporário, mas os analistas dizem que ele pode ter problemas para manter o controle, especialmente se algumas facções perceberem a ausência do presidente como uma oportunidade para finalmente expulsar ele e sua família do poder.

Muitos dos inimigos de Saleh estão bem armados, inclusive um general que desertou recentemente, em solidariedade com os manifestantes pró-democracia.

Autoridades iemenitas não quiseram entrar em detalhes sobre os ferimentos de Saleh. Mas as redes de notícias árabes citaram médicos sauditas como tendo informado que ele passou por duas operações para remover pedaços de madeira após uma explosão na mesquita do complexo presidencial.

No domingo, alguns analistas e diplomatas estavam otimistas de que a última crise do Iêmen seria resolvida pacificamente.

*Por Neil Macfarquhar

    Leia tudo sobre: iêmenchoquesoposiçãosaleharábia saudita

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG