Alcançando o bem-estar, o que quer que isso seja

Há tão poucas risadas realmente boas no atendimento de saúde hoje em dia. É uma pena que eu seja provavelmente a única pessoa no planeta a aproveitar a hilária ¿ e talvez um pouco irritante ¿ experiência de ler ao mesmo tempo os novos livros da Dra. Nancy Snyderman e do Dr. Nortin Hadler, fazendo cuidadosas anotações.

The New York Times |

Os dois médicos fizeram carreiras paralelas interpretando princípios da medicina para o público leigo. Ambos se consideram especialistas não apenas em doenças, mas também em saúde, esse poderoso Graal de nosso tempo. Ambos se aprofundaram em estudos para oferecer a você, o adulto saudável médio, orientações para manter-se bem.

Ambos juntam ciência, estatística e um conhecimento judicial limitado para apresentar, sem exageros, conselhos completa, absoluta e diametralmente opostos.

O livro de Snyderman, que é cirurgiã, comentarista de rádio de longa data e editora-chefe de medicina da NBC News, não oferece surpresas. Sua missão é assegurar aos leitores que prestar a devida atenção aos princípios da ciência médica moderna lhes trará uma vida mais longa e saudável.

Com alegre otimismo, ela resume a sabedoria padrão: fique de olho na dieta, exercite-se, perca peso, pare de fumar, faça exames regularmente para uma variedade de doenças medonhas, controle o colesterol e o açúcar no sangue, mantenha contato com seu médico certifique-se de checar prontamente aquelas dores, só para garantir. Assim fala a instituição médica.

Mas não para Hadler, reumatologista e professor de medicina da Universidade da Carolina do Norte, que é um antigo desmistificador de muitas coisas que o establishment prega. Todos nós vamos morrer, diz ele. Viver aflito com todas as terríveis doenças simplesmente não é uma opção. O verdadeiro objetivo é chegar a uma idade digamos 85 mais ou menos intacto. E as estatísticas dizem a Hadler que ignorar a maioria dos conselhos de Snyderman é a melhor forma de fazê-lo.

As estatísticas são a chave aqui, e os leitores precisarão de vigor para atravessar o fechado bosque de números e análises oferecidos por Hadler. Analisando os dados por trás de muitas das verdades médicas amplamente endossadas em nosso tempo, ele conclui que a maioria oferece poucos benefícios e muitos riscos para justificar o crédito divulgado.

Hadler não vê evidências de que uma leve pressão alta ou uma taxa elevada açúcar no sangue representem um risco muito grande à longevidade com certeza não o suficiente para justificar os agressivos tratamentos oferecidos por drogas. O mesmo vale para os 10 quilos a mais que o fazem estar acima do peso mas não obeso, e as modestas elevações no colesterol que, hoje em dia, fazem muitas pessoas saudáveis tomar um remédio para o resto da vida.

Ele lamenta a atenção cuidadosa que dispensamos às nossas artérias coronárias. Angioplastias, endopróteses, enxertos de contorno todos esses procedimentos, ele escreve, deveriam ser transferidos para os anais das boas idéias que se provaram ruins.

Os exames que aparentemente nos protegem do câncer, as mamografias e o exame de sangue para o câncer da próstata são, em sua visão, recursos que podem machucar tanto quanto ajudar. Ele tampouco quer participar de colonoscopias de rotina: Deixem meu pólipos em paz.

Diverti-me imaginando essas duas autoridades em um coquetel. Snyderman estaria beliscando salmão, atum ou truta e bebericando sua única bebida alcoólica do dia. Hadler estaria comendo e bebendo o que desejasse (Você não é o que você come.)

Ela descreveria seu regime diário de multivitaminas. Ele discutiria o enorme esquema norte-americano de vitaminas. Ela iria declarar que fazer exames regularmente é um passo vital que precisamos tomar. Ele responderia que um exame físico anual é inteiramente inútil. Ela contaria a história de quando se sentiu com os ossos cansados e exausta por alguns dias e fez um angiograma com tomografia computadorizada de suas artérias coronárias. Ele teria um ataque apoplético.

Mesmo assim, esses dois livros levantam uma série de questões importantes. Hadler discute uma delas. O que significa exatamente estar bem? Seria a inexistência completa de dores, juntas rangendo, problemas de digestão e noites sem sono? Ou seria, como ele sugere, ter a habilidade de lidar com todos esses problemas físicos comuns sem se transformar de pessoa a paciente?

Qual é o preço cumulativo econômico e físico (em uma pessoa, em uma nação) de unir desconforto e doenças?

Acalme-se, heróico opositor de Snyderman. Se apenas uma vida for salva pela lengalenga médica padrão e essa vida poderia ser a sua , tudo não valeria a pena no final?

Neste ponto, deve ter ficado óbvio porque ninguém além de mim estaria lendo estes dois livros. Você, leitor, sem dúvida já decidiu qual autor é um sábio e qual é um lunático, quais conselhos são sadios, dignos de leituras e releituras, e quais são apenas desviados.

E essa é a lição final que provoca pensamento. Nossas crenças com relação à saúde são tão impregnadas que dados, advertências, direcionamentos e oceanos de tinta em pacotes de papel dificilmente seríamos dissuadidos de acreditar no que queremos que seja verdade.

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