Alasca revela riscos de vazamento de petróleo

Efeitos de longo prazo do naufrágio do Exxon Valdez indicam quais serão os desafios dos locais afetados pelo vazamento no Golfo

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Prince William Sound, no Alasca. Comunidades nessa área ainda sofrem as consequências financeiras, emocionais e ambientais do vazamento do Exxon Valdez, em 1989
Conforme a mancha de óleo se espalha pelo Golfo do México , com seu impacto incerto, comunidades de Cordova, no Alasca, continuam enfrentando as consequências do dia 24 de março de 1989, quando houve o naufrágio do Exxon Valdez .

O petroleiro Valdez vazou cerca de 42 milhões de litros de óleo bruto , causando uma mancha que atingiu 2,5 mil quilômetros da costa, matando milhares de aves marinhas, lontras, focas e baleias, e devastando as comunidades locais.

O vazamento foi interrompido em alguns dias, mas a recuperação pode levar ainda muitos anos. Suicídios e falências aumentaram. Muitas pessoas partiram enquanto outras lucraram com o acidente, recebendo para limpar os danos ambientais. 

Uma nova indústria tomou conta da região: grupos ambientalistas, entidades científicas, especialistas no trauma psicológico causado pelo vazamento de óleo. Um grupo de pescadores é agora treinado e pago pela indústria petrolífera para responder caso outro desastre aconteça.

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Pescador John Platt em Cordova, Alasca: pesca na região ainda está longe de voltar ao que era antes de vazamento de Exxon Valdez

Advogados, pescadores e ambientalistas do golfo agora apelam por orientação em áreas como a forma mais eficiente de se realizar uma triagem ecológica e até mesmo como fazer uso político da raiva causada pelo acidente. A mídia nacional visita ilhas da região para ver como o óleo ainda cobre rochas a poucos centímetros da superfície mesmo após todos esses anos.

Pescadores relembram suas complicadas jornadas do vazamento às indenizações recebidas no ano passado por uma ação por danos movida contra a Exxon em 1994, que somou cerca de US$ 500 milhões.

A vista das montanhas ainda é incrível, mas a pescaria do arenque já não existe, bem com a de caranguejos. Os camarões estão voltando aos poucos, mas em pequena quantidade. A perda da indústria de arenque ao longo dos anos desde o vazamento custou a US$ 400 milhões à região, disse R. J. Kopchak, do Centro de Ciência Prince William Sound, embora alguns culpem padrões cíclicos ou outros fatores pela mudança.

Grande parte de uma geração optou por caminhos fora da pescaria, apesar de muitos jovens terem voltado a ganhar a vida no mar.

Este ano, as autoridades esperam melhorar a situação com a abertura de um novo museu. "Nós ainda não temos uma exposição sobre o vazamento, mas essa é a pergunta que nos fazem o tempo todo", explicou Cathy Sherman, responsável pelo museu e biblioteca. "Ninguém até quer lembrar daquilo."

Mas Sherman disse que o novo museu, que recebeu cerca de US$ 18 milhões em financiamentos provenientes do Estado e de outras fontes, vai contar a história do vazamento por meio de objetos, incluindo um pedaço do casco do Valdez. Mas também vai tentar mostrar "o que aprendemos", acrescentou.

*Por WILLIAM YARDLEY

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