Ajuda ao AIG é vista no exterior como desvio do capitalismo

PARIS - Os Estados Unidos deixaram de ser o bastião mundial do capitalismo de livre mercado ?

The New York Times |

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Ao oferecer um empréstimo de US$85 bilhões ao American International Group Inc. (AIG) , Washington não apenas se desviou de décadas de retórica sobre as virtudes de um livre mercado e os perigos da intervenção governamental, mas também prejudicou as futuras tentativas americanas de promover tais políticas no exterior.

"Eu sinto que o governo chegou a um ponto do qual não há volta", disse Ron Chernow, historiador americano. "Nós temos a ironia de uma gestão pró livre mercado fazendo coisas que a gestão mais liberal democrata jamais faria".

O pacote de ajuda ao AIG, além de empréstimos anteriores a Bear Stearns, Fannie Mae e Freddie Mac, surpreendeu até mesmo legisladores europeus acostumados com intervenções governamentais (mesmo quando eles reconhecem o choque da falência do Lehman Brothers, no qual Washington escolheu não intervir).

"Para opositores do livre mercado na Europa e em outros lugares, essa é uma ótima oportunidade para evocar o exemplo americano", disse Mario Monti, ex-líder antitruste da Comissão Europeia. "Eles dirão que até mesmo o padronizador do mercado econômico, os Estados Unidos, negam seus princípios fundamentais com seu comportamento".

Monti disse que crises financeiras anteriores na Ásia, Rússia e México fizeram com que governos tivessem que agir, "mas essa é a primeira vez que isso acontece no coração do capitalismo, o que é muito mais prejudicial em termos de credibilidade ao mercado econômico".

Na França, onde o governo há muito apoia a criação de "campeões nacionais" e trabalha ativamente para proteger algumas companhias da ameaça de posse estrangeira, os políticos rapidamente apontaram o paradoxo do que é essencialmente a nacionalização da maior companhia seguradora dos Estados Unidos.

"Hoje as ações dos legisladores americanos ilustram a necessidade do patriotismo econômico", disse Bernard Carayon, legislador do partido de centro-direita do presidente Nicolas Sarkozy, UMP. "Eu os parabenizo".

Para os "evangelistas do mercado essa é uma lição dolorosa", ele acrescentou.

Economias nacionais entram "em uma era na qual teremos muito mais regulamentação e os setores público e privado estão mais próximos".

Por NELSON D. SCHWARTZ

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