Ainda trabalhando, mas forçados a contentar-se com menos

LINCOLN ¿ Os Ferrells cortaram as aulas de danças que suas duas filhas gêmeas faziam. As vacinações das duas gatas e duas cachorras da família também estão fora. E cortar o cabelo virou luxo.

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Com a recessão, os preços de produtos têm de ser colocados na calculadora

E, recentemente, buscar descontos em mercearias se tornou parte do novo estilo de vida da família. Sharon Ferrell verificou sua conta no banco mais uma vez, discando o telefone gratuito que já sabia de cor. Seu balanço disponível para saque é de US$ 490,40, disse a voz eletrônica a ela.

Na loja, com o número na cabeça, ela pôs o preço de cada item na calculadora enquanto os colocava em seu carrinho de compras, garantindo-se de que estava dentro do limite. Foi tudo parte de um novo regime fiscal de contenção para os Ferrells, com início em janeiro, quando os trabalhadores do Estado, incluindo o marido de Ferrell, Jeff, foram forçados a aceitar uma licença do trabalho de dois dias por mês.

Para milhões de famílias, esta é a recessão: não uma demissão temporária ou uma redução drástica na renda, mas um corte dos pagamentos que os forçou a lidar com cálculos diários similares aos dos Ferrells. Mesmo se trabalhadores tentarem evitar a demissão, muitos empregadores têm de cortar os gastos de outras formas, reduzindo as horas de trabalho, impondo licenças remuneradas e, às vezes, diminuindo os salários.

Cerca de 6,7 milhões estavam trabalhando menos do que 35 horas por semana em abril, por causa da "falta de trabalho ou de condições da empresa", aproximadamente o dobro do número no ano anterior, de acordo com a Agência de Estatísticas de Emprego. Uma análise recente de 518 grandes companhias, feita pela consultora de recursos humanos Hewitt Associates, mostrou que 16% tiveram cortes no salário e 20% tiveram horas de trabalho reduzidas ou licenças impostas. Essa quantidade é muito maior do que a empresa já viu em recessões anteriores (a porcentagem atual de trabalhores afetados é provavelmente sifnigicativamente menor).

Alguns tentam lidar com a diminuição de seus pagamentos com o mínimo de dor possível, especialmente famílias onde a segunda renda tem ajudado a amortecer o golpe.

Melissa Saavedra, que faz atendimento técnico para a City of Redlands, da Califórnia, que normalmente ganhava cerca de US$ 38 mil por ano, teve um corte de 10% em seus ganhos juntamente com outros trabalhadores da cidade no mês de janeiro.

Até agora, ela diz que sua família de cinco pessoas só fez pequenos ajustes, em parte porque seu marido ainda está empregado em uma companhia de eletrônicos. Agora, eles levam o almoço para o trabalho, ela tenta comprar comida na promoção de mercearias e guarda cupons de promoção. "Nós tínhamos um dinheiro extra que sobrava todo mês", disse. "Agora tem menos desse dinheiro, mas ainda estamos bem".

No entanto, para famílias como os Ferrells, que já estavam a um conserto de carro ou a um colapso qualquer para afundar de vez, mesmo um modesto passo equivocado poderia trazer decisões difíceis.

As licenças significam quase 9% da redução do salário de US$ 72 mil por ano de Jeff Ferrel como higienista industrial, no qual ele avalia os perigos de saúde no local de trabalho. O casal e seus dois pares de filhos gêmeos - os mais velhos têm 7 anos e os mais novos 20 meses - tiveram que contentar-se com cerca de US$ 450 por mês.

Será que eles deveriam cortar os US$ 315 que gastavam por mês com as aulas de ballet das gêmeas maiores? E quanto aos US$ 55 gastos por mês com o serviço de televisão à satélite, que tinham porque a tv à cabo normal não tem sinal em seu lar semi-rural, cerca de 64 quilômetros de Sacramento?

Na maior parte do tempo, o aumento das despesas para sobreviver nos últimos anos tem esgotado as economias da família e levado a dívidas de milhares de dólares no cartão de crédito.


Por MICHAEL LUO


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