Agora em filme, memórias da 'ACM Negra' de Chicago

Subúrbio de Chicago ainda sente perda 41 anos depois de ACM segregada fechar suas portas

The New York Times |

Em sua barbearia em Evanston, Sam Johnson, de 78 anos, consegue fechar os olhos e voltar à adolescência para dançar novamente no salão de festas da filial do ACM da rua Emerson. "Ah, a música, os jogos", disse Johnson, que também lembra dos joelhos ralados, do jogo de damas e dos primeiros beijos. "Lá era o lugar onde tudo acontecia."

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Sam Johnson, de 78 anos, em sua barbearia em Evanston, um subúrbio de Chicago
Mas para Johnson e outros negros na década de 1950, nada acontecia na sede principal da ACM em Evanston, um subúrbio de Chicago. Mesmo aqui, um lugar que gosta de se vangloriar de sua diversidade, os negros eram proibidos de participar do ACM central, tal como não eram bem-vindos em muitos clubes e praias locais.

Conhecido na cidade como "ACM Negra", essa sede serviu como o coração da comunidade afro-americana por mais de 50 anos após a abertura, em 1914. Os jovens jogavam basquete, aprendiam a nadar, a lutar box e jogar pingue-pongue.

A pequena filial do ACM era sede de bailes para estudantes negros, banquetes para pais e filhos e chegou até mesmo a ter um show de Nat King Cole. O fechamento da filial Emerson em 1969, parte do movimento em direção à integração racial, provocou um profundo sentimento de tristeza na comunidade negra local, um sentimento de perda que não havia sido expressado por completo até recentemente.

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Sam Johnson, à direita, de 78 anos, cumprimenta cliente em sua barbearia em Evanston, um subúrbio de Chicago
Para homenagear as experiências e os sentimentos que foram ignorados por muito tempo em Emerson, a ACM local contratou a cineasta Susan Hope Engel para produzir um documentário, "Unforgettable: Memories of the Emerson Street Branch ACM" ("Inesquecível: Memórias da Filial ACM da Rua Emerson", em tradução livre). O filme estreou em uma recente comemoração da filial Emerson.

Agora, cópias dele estão sendo passadas para famílias negras e brancas de todo o bairro, e as escolas locais estão planejando utilizar o documentário como parte do currículo para ensinar sobre as relações raciais.

Como tantas outras coisas na América na primeira metade do século 20, as ACMs eram normalmente segregadas. As raízes da filial da rua Emerson datam de 1909, quando James Talley, um afro-americano que vivia em Evanston, perguntou a ACM se crianças negras poderiam entrar para o clube.

Líderes cívicos e funcionários da ACM em Evanston ficaram "envergonhados" por ter de deixar as crianças negras, literalmente, de fora e no frio. Assim, eles decidiram abrir a filial Emerson em 1914, disse Dino Robinson, chefe da Shorefront, uma organização que narra a história afro-americana nos subúrbios ao norte de Chicago.

Ao longo das décadas, as relações formadas na filial Emerson mudariam vidas para sempre. Se não fosse pela ACM Emerson, Lorena H. Morton disse que "nunca teria conhecido" seu marido, James T. Morton. Mesmo em meio aos jogos de basquete e pingue-pongue e aos bailes, ela conseguiu ver um jovem que tinha futuro. James Morton se tornaria um psicólogo (ele morreu em 1974). Lorena Morton também tinha futuro. Ela se tornaria a primeira prefeita negra de Evanston.

* Por Dirk Johnson

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