Agência da ONU acusa Hamas de apreender ajuda humanitária

JERUSALÉM - A agência da ONU que oferece assistência a refugiados palestinos disse na quarta-feira que a polícia do Hamas em Gaza apreendeu suprimentos destinados aos necessitados, dando sinais de maior tensão entre a agência e os líderes do enclave palestino.

The New York Times |

A acusação foi feita em uma declaração da Agência de Trabalho de Alívio da ONU, ou UNRWA na sigla em inglês, que condenou a ação "em termos fortes" e exigiu a devolução dos produtos.

Na manhã de terça-feira, de acordo com a declaração, a polícia confiscou cerca de 3.500 cobertores e mais de 400 pacotes de comida de um armazém no acampamento da praia da Cidade de Gaza que deveriam ajudar centenas de famílias da região. O material fazia parte da ajuda emergencial sendo distribuída após a ofensiva militar israelense em Gaza, que acabou no dia 18 de janeiro.

De acordo com a declaração, o incidente aconteceu "depois que funcionários da UNRWA haviam anteriormente se recusado a entregar suprimentos alimentares ao Ministério de Assuntos Sociais coordenado pelo Hamas. A polícia subsequentemente invadiu o armazém e apreendeu o material à força".

Christopher Gunness, porta-voz da agência, disse que essa foi a primeira vez que seus suprimentos foram apreendidos desta forma. Ele acrescentou: "Eles estavam armados e nós não".


Palestina espera para receber ajuda huminitária da ONU / Reuters

O ministro de assuntos sociais Ahmed al-Kurd disse que ficou "muito surpreso e chocado" com a declaração da agência. As autoridades do Hamas nunca "prejudicaram a segurança da UNRWA", ele disse.

Mas Kurd revelou alguns conflitos entre oficiais do Hamas e a distribuição de auxílio pela agência. Ele disse que seu ministério tem pedido que a agência ofereça informações sobre a ajuda que fornece, e que "investiga" se o grupo trabalha com qualquer organização em Gaza que não seja licenciada pelo governo local e que tenha "uma agenda política". Ele provavelmente se referia a grupos de oposição ao Hamas.

Peter Lerner, porta-voz do Ministério de Defesa israelense, disse que Israel está ciente "de inúmeros incidentes" nos quais a ajuda enviada a Gaza, principalmente da Jordânia e Egito, foi apreendida, "algumas vezes com o uso de armas".

Israel tem permitido a entrada de até 200 caminhões de ajuda humanitária por dia em Gaza desde o final da ofensiva militar, mas alguns grupos humanitários protestam que as restrições continuam. Na quarta-feira a agência de notícias Reuters reportou que a União Europeia enviou uma carta a Israel reclamando a respeito dos obstáculos que enfrentou para a entrega de ajuda.

Por ISABEL KERSHNER e TAGHREED EL-KHODARY

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