Afeganistão luta para construir Exército representativo

Pequeno número de integrantes da etnia Patnun entre os militares afegãos reflete medo ou simpatia pelo Taleban

The New York Times |

As autoridades afegãs e da Otan têm lutado muito para atrair jovens na região sul do Afeganistão – reduto da etnia Pashtun e considerada o coração do Taleban – a se juntar ao Exército afegão.

Apesar de anos de esforços para aumentar o alistamento de pashtuns do sul, uma análise dos padrões de recrutamento realizada pelo The New York Times mostra que o número de homens desta etnia a se juntar ao Exército mantém-se relativamente pequeno, refletindo um medo profundo e persistente dos insurgentes, ou simpatia por eles, bem como dúvidas sobre a estabilidade e a integridade do governo central na capital, Cabul.

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Soldados afegãos de várias etnias assistem aula em centro de treinamento em Kandahar (17/08)

Em alguns lugares, o número de recrutas Pashtun têm até mesmo diminuído, causando um declínio geral de cerca de 30% em relação a um ano atrás.

Conforme o prazo para a retirada da maioria das forças estrangeiras – marcado para 2014 - se aproxima, a necessidade do alistamento dos pashtuns no sul do país está se tornando urgente, caso o Afeganistão queira ter um Exército nacional que se assemelhe à composição étnica e geográfica do país.

A ausência de pashtuns do sul reforça a impressão de que o Exército é em grande parte uma instituição do norte para ser usado contra o sul. As autoridades afegãs e ocidentais temem que isso represente uma divisão perigosa do país.

As províncias predominantemente pashtun do sul e sudeste – Kandahar, Helmand, Oruzgan, Zabul, Paktika e Ghazni – compõem cerca de 17% do total da população do Afeganistão, mas contribuíram com apenas 1,5% dos soldados recrutados desde 2009.

Não surpreendentemente, a grande maioria dos recrutas vêm de províncias do norte e nordeste, onde a insurgência é mais fraca.

Embora a representação geral dos pashtuns, o maior grupo étnico do Afeganistão, no exército seja equilibrada – eles representam cerca de 42% da população e aproximadamente a mesma percentagem do Exército – a grande maioria vem de províncias do nordeste. Tentando atrair mais pashtuns do sul, oficiais do Ministério da facilitaram a qualificação para o recrutamento oficial e atribuíram dois generais pashtun do sul para a região, que deverão se concentrar no recrutamento.

No entanto, assassinatos no sul do Afeganistão têm dificultado os esforços. Nos últimos dois anos, homens-bomba e homens armados em motocicletas mataram dezenas de anciãos tribais simpáticos ao governo, oficiais de alto escalão e até mesmo servidores civis.

Por enquanto, autoridades afegãs e da Otan definiram o objetivo para a representação pashtun no Exército em modestos 4%, um reflexo dos desafios que estão por vir.

Por Ray Rivera

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