Adversários palestinos se unem diante de agitação no Egito

Em crise desde 2007, Hamas e Fatah, da Autoridade Nacional Palestina, reúnem-se nos bastidores preocupados com manifestações

The New York Times |

O governo do Hamas em Gaza e sua rival Autoridade Nacional Palestina que lidera a Cisjordânia raramente se entendem em qualquer coisa. Mas, com protestos em massa sacudindo o Egito, do outro lado da fronteira sul de Gaza, os adversários palestinos têm se unido e mantido um silêncio prudente, protegendo suas apostas dada a imprevisibilidade do resultado e claramente preocupados com uma possível propagação da agitação popular às suas áreas.

AP
Partidários do Hamas saíram às ruas em Gaza para protestar contra o governo do presidente egípcio, Hosni Mubarak (3/2/2011)
Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina, que tem apoio do Ocidente, impediram manifestações de apoio aos egípcios nos últimos dias, aparentemente preferindo demonstrar uma certa neutralidade palestina e temendo que as coisas possam sair do controle.

Na tarde de segunda-feira a polícia do Hamas, aparentemente nervosa, dispersou manifestantes que se reuniram na Cidade de Gaza para mostrar apoio ao povo egípcio. O convite para a manifestação foi feito através do Facebook.

Na quinta-feira, no entanto, oficiais de segurança do Hamas permitiram protestos anti-Mubarak em Gaza. De acordo com a Associated Press, cerca de 1 mil partidários do Hamas saíram às ruas em Gaza com bandeiras egípcias, gritando: "Mubarak, você deve sair!". Na Cisjordânia, a Autoridade Palestina permitiu pequenas manifestações de apoio aos opositores egípcios.

Hosni Mubarak, o presidente em apuros do Egito, tem sido um forte aliado da Autoridade Palestina e um grande apoiador do processo de paz entre Israel e Palestina, que agora se encontra em um impasse.

Mahmoud Abbas, o presidente palestino, ligou para Mubarak no sábado para expressar sua esperança de que a calma e a estabilidade sejam restauradas. O Egito também intermediou as conversas de reconciliação, até agora sem sucesso, entre o Hamas e o Fatah, o partido liderado por Abbas.

Os líderes palestinos de ambos os lados têm evitado falar publicamente sobre o Egito, cientes do que alguns observadores locais estão chamando de efeito Kuwait. Eles se referem ao que aconteceu quando Yasser Arafat, então líder da Palestina, ficou do lado do Iraque após Saddam Hussein invadir o Kuwait em 1990. O Kuwait retirou o seu apoio aos palestinos e expulsou centenas de milhares de pessoas que viviam e trabalhavam no país.

Mahmoud Zahar, um líder do Hamas em Gaza conhecido por sua franqueza, disse na segunda-feira: "Nós não vamos intervir nos assuntos internos do Egito".

Nabil Shaath, membro do Comitê Central do Fatah e comissário de Relações Exteriores do grupo, disse em uma entrevista por telefone da cidade de Ramallah, Cisjordânia, no domingo: "Estamos orando para que o Egito saia disso, em última análise, com mais liberdade, segurança, democracia, unidade. A decisão é deles, não nossa. A nossa posição tem sido muito prudente - estamos muito conscientes das dificuldades que o Egito está passando e não podemos tomar partido. "Para nós, o Egito é uma relação existencial, como aquela entre Israel e os Estados Unidos", acrescentou.

Irmandade Muçulmana

Muitos analistas têm notado que, se a Irmandade Muçulmana eventualmente chegar ao poder no Egito, o Hamas irá se fortalecer e poderá assumir a Cisjordânia. Shaath disse que falar de um Egito governado pela Irmandade Muçulmana é algo "exagerado". Ele também negou qualquer preocupação de que os protestos anti-estabelecimento possam se espalhar para a Cisjordânia, dizendo que os palestinos têm problemas suficientes com a ocupação israelense e a divisão da Cisjordânia.

Ainda assim, Abbas se reuniu com seus chefes de segurança no domingo. E no que pareceu ser um esforço para evitar críticas à veterana liderança da Cisjordânia, oficiais do Fatah, pela primeira vez em meses, começaram a falar sobre a possibilidade de realização de eleições, há muito esperadas.

*Por Fares Akram e Isabel Kershner, com informações da Associated Press

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