Acordo promissor termina em desarmonia partidária

WASHINGTON - O dia começou com um acordo que Washington esperava acabar com a crise financeira americana. Mais adiante se dissolveu num debate ruidoso na Sala do Gabinete da Casa Branca, com alertas de um presidente irritado e promessas de um secretário do Tesouro que se ajoelhou diante do orador da Casa e apelou por apoio.

The New York Times |

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"Caso o dinheiro não seja injetado imediatamente, isso pode ir por água abaixo", declarou o presidente Bush na quinta-feira enquanto observava o plano de resgate de US$700 bilhões ser rejeitado diante de seus olhos.

Essa foi uma implosão que chegou de trás de portas fechadas ao público de forma pouco comum em Washington. Por volta das 10h30 do horário local, depois de outra rodada de negociações, os representantes do Congresso desistiram momentaneamente e determinaram a retomada das discussões nesta sexta-feira. O destino do plano de resgate permaneceu incerto.

Quando líderes do Congresso e os senadores John McCain e Barack Obama chegaram à Casa Branca na tarde de quinta-feira , todos os sinais sugeriam que um acordo bipartidário poderia se tornar lei no final de semana.


Com Bush ao centro, candidatos ocuparam extremidades da mesa / AP

"Estamos em meio a uma séria crise econômica", Bush disse aos repórteres no início da reunião acrescentando, "Minha esperança é que possamos chegar a um acordo em breve".

Mas depois que as portas se fecharam, o líder republicano na Casa, o representante John A. Boehner, declarou que sua delegação não poderia apoiar um plano que permitira ao governo comprar empreendimentos em dificuldade de companhias financiadoras

Boehner pressionou por uma alternativa que significasse um papel menor para governo e McCain, cujo apoio ao plano é vital caso os republicanos queiram assiná-lo, se recusou a tomar uma posição.
As negociações se tornaram recriminações raivosas e foram seguidas de coletivas de imprensa contrárias e entrevistas com tom partidário.

Depois da sessão, o secretário do Tesouro Henry M. Paulson Jr., se colocou de joelhos ao jurar com a oradora da Casa Nancy Pelosi não retirar o apoio de seu partido ao plano, o que Pelosi disse que seria uma traição republicana.

Esse foi o resultado que a Casa Branca disse ter tentado evitar, com política partidária presidencial atrapalhando delicadas negociações feitas pelo Congresso.

O senador democrata Christopher J. Dodd, presidente do comitê bancário do Senado, denunciou a sessão como "um plano de resgate para John McCain" numa entrevista à rede CNN e proclamou como perda de tempo precioso que poderiam ser usadas em negociações reais.

Um assessor de Boehner, Kevin Smith, disse que os republicanos se revoltaram com o que viram como uma tentativa democrata de prejudicar um acordo na manhã de quinta-feira e negaram a McCain uma oportunidade de participar no acordo.

Por DAVID M. HERSZENHORN, CARL HULSE e SHERYL GAY STOLBERG

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