Ação contra vendedores de álcool causa medo em Bagdá

Repressão contrária a bebidas alcoólicas leva a temores sobre aceleração de rigidez da lei islâmica no Iraque

The New York Times |

Oito homens portando armas e canos de aço invadiram uma organização não-governamental cristã em uma noite da semana passada, pegando computadores, telefones celulares e documentos, ameaçando quem estava presente.

"Eles entraram e disseram: 'Vocês são criminosos. Este não é o seu país. Partam imediatamente'", disse Sharif Aso, membro do conselho da Associação Cultural Assurbanipal. "Eles disseram: 'Este é um Estado islâmico'."

Os invasores usavam roupas civis, disse Aso e outros na organização, mas sua chegada foi precedida por três viaturas da polícia que bloqueou a rua. Ele disse que os homens roubaram sua aliança e bateram em sua perna com uma pistola.

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Associação Cultural Assurbanipal, que foi invadida na semana passada em Bagdá, no Iraque
A Assurbanipal, associação batizada em homenagem a um rei assírio, publica principalmente escritos na língua assíria, mas também dirige um clube privado que serve bebidas alcoólicas, o que parecia ser o motivo do ataque de quinta-feira. Os invasores quebraram garrafas de bebidas e uma geladeira com porta de vidro antes de atirar uma granada de gás pela janela de um carro pertencente a um membro do grupo. O episódio é o último de uma onda recente de ataques contra vendedores de bebidas alcoólicas em Bagdá.

Na quarta-feira da semana passada, dois proprietários de lojas disseram ter sido atacados de forma semelhante, também por homens vestidos como civis que trabalham com a polícia.

A repressão levou a temores no país de que haja um movimento acelerado em direção à rígida lei islâmica, especialmente desde o retorno ao Iraque de Muqtada Al-Sadr, o inflamado clérigo antiamericano, há uma semana.

Resolução

Em novembro, o governo provincial de Bagdá invocou uma resolução da era Saddam Hussein emitida em 1996 para proibir a venda de álcool, usando-a para fechar bares e discotecas, embora a resolução não tenha sido ratificada pelo parlamento.

Um major da polícia disse que os homens que invadiram o clube são funcionários do governo provincial. Mas o líder do governo provincial disse que eles são policiais que agem à paisana.

Como quase todos os vendedores de álcool no Iraque são cristãos, a campanha contra o álcool sobrepõe assustadoramente os recentes ataques a cristãos, incluindo um ataque a uma igreja em outubro que deixou quase 60 mortos.

O álcool, dizem alguns, é apenas uma desculpa. Aso disse que a maioria dos membros da organização já deixou o Iraque por temer por sua segurança.

Milhares de famílias cristãs deixaram o país ou buscaram refúgio na região semiautônoma do Curdistão, no norte do Iraque, desde o cerco mortal da igreja de Nossa Senhora da Salvação em outubro, uma igreja sírio-católica de Bagdá. O Estado Islâmico do Iraque, um grupo de extremistas ligado à Al-Qaeda no Iraque, reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

Mais da metade dos cristãos iraquianos deixaram o país desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, quando se acreditava existir entre 800 mil e 1,4 milhão de cristãos no país.

*Por John Leland

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