Aborto entra para o debate sobre a reforma do sistema de saúde nos EUA

WASHINGTON - O debate a respeito da reforma do sistema de saúde no Congresso dos Estados Unidos está se tornando um campo de batalha da disputa sobre a prática do aborto.

The New York Times |

Os oponentes do aborto na Câmara e no Senado estão buscando impedir que as milhões de pessoas de baixa e média renda que usarão subsídios federais para comprar assistências médicas consigam usar o dinheiro em planos que cobrem a prática do aborto.

Estes oponentes do aborto estão conseguindo apoio suficiente entre os democratas moderados para que qualquer lado saiba qual será a decisão final.

Os oponentes do aborto citam como precedente uma proibição de 30 anos implementada sobre o uso do dinheiro dos contribuintes para pagar por abortos eletivos.

Os defensores do direito ao aborto dizem que tal restrição elimininaria os planos particulares que cobrem o procedimento, forçando as mulheres que têm estas coberturas a renunciar a ajuda governamental.

A questão é um teste da promessa de campanha do presidente Barack Obama em apoiar o direito ao aborto mas buscar um meio termo com aqueles que não o fazem.

Obama prometeu durante meses que a reforma do Sistema de Saúde não proveria dinheiro federal para pagar por abortos eletivos, mas oficiais da Casa Branca se recusaram a explicar o que ele quis dizer com isso.

Líderes congressistas democratas dizem que as últimas versões dos projetos de reforma da Câmara e do Senado preservam o espírito da atual proibição do financiamento federal do aborto exigindo que os planos de saúde segreguem seus subsídios públicos em contas separadas de prêmios individuais e co-pagamentos.

Os planos de saúde só poderiam usar o dinheiro de fontes privadas para pagar por abortos.

Mas os oponentes dizem que isto não é suficiente, porque os subsídios ainda ajudariam as pessoas a pagar por planos de saúde que cobrem a prática do aborto.

Pelo menos 31 democratas da Câmara assinaram várias cartas recentes à oradora, Nancy Pelosi, democrata da Califórnia, pedindo que ela permita uma votação a respeito de uma medida para restringir o uso dos subsídios no pagamento por abortos, incluindo 25 que se uniram a mais de 100 republicanos em uma carta entregue na segunda-feira.

Os representantes Bart Stupak de Michigan, um dos principais democratas oponentes ao aborto, disse ter o comprometimento de outros 40 democratas para bloquear o projeto do sistema de saúde a menos que tenham a chance de incluir as restrições.

O Comitê de Finanças do Senado deve votar esta semana em uma emenda proposta pelo senador Orrin G. Hatch, republicano de Utah, sobre a restrição do uso de subsídios federais.

Defensores de ambos os lados do Senado dizem que se o comitê não adotar a emenda eles esperam uma disputa muito acirrada sobre o assunto quando o projeto for votado.

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