Abertura ao Irã pode complicar relações entre EUA e Israel

TEERÃ, Irã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, aceitou o repetido convite do presidente Barack Obama para negociações diretas entre seu país e os Estados Unidos na terça-feira. A medida sinalizou o começo de um drama de guerra e paz há muito adiado que pode definir os planos da gestão Obama de reconstruir a postura diplomática americana.

The New York Times |

Mas a abertura também abre a possibilidade de novas tensões com Israel, que há menos de um ano buscou ajuda americana ao preparar um ataque à principal usina nuclear iraniana e deve se alinhar ainda mais à direita depois das eleições parlamentares de terça-feira . Além disso, Obama terá que decidir se dará continuidade a um grande plano contra as ambições nucleares do Irã, mesmo enquanto tenta fazer uso da diplomacia.

Ahmadinejad prometeu que se os Estados Unidos estão realmente sérios a respeito de mudar as relações entre os países, então o Irã está pronto a responder à altura. "Está claro que a mudança deve ser fundamental, não tática, e nosso posso está aberto a mudanças reais", ele disse. "Nossa nação está pronta para negociar com base em respeito mútuo e uma atmosfera justa."

As afirmações de Ahmadinejad foram feitas em um discurso televisionado a uma multidão que comemorava os 30 anos da Revolução Islâmica de 1979, que depôs o Shah Mohammed Reza Pahlavi. Ela terminou com o relacionamento próximo entre  Washington e Teerã e trouxe décadas de confronto que culminaram com a descrição do presidente George W. Bush do Irã como parte do "eixo do mal", em 2002.

Há três semanas, no entanto, Obama prometeu em seu discurso de posse um novo relacionamento com nações dispostas a "desfazer o punho", uma oferta que repetiu em uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira.

"Generalizando, o Irã favorece laços com os Estados Unidos porque a queda no preço do petróleo prejudicou muito sua economia", disse Saeed Leylaz, economista e analista político em Teerã. "Os Estados Unidos precisam dar o primeiro passo, ou o Irã não poderá ir adiante", ele disse. Mas também alertou que os Estados Unidos devem manter negociações diretas apenas com o  Ayatollah Ali Khamenei, o líder religioso supremo do país.

Não há dúvida de que uma nova dinâmica está por vir, uma que parece poder se tornar ainda mais complicada depois que a eleição de terça-feira em Israel for definida. Se o governo que emergir estiver ainda mais determinado a acabar com o programa nuclear iraniano de qualquer maneira, Obama pode se ver tentando negociar com um de seus adversários mais determinados enquanto limita um de seus aliados mais próximos.

 - NAZILA FATHI e DAVID E. SANGER

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