Abdullah II: A solução de cinco Estados

Em fevereiro de 2002, eu viajei à Arábia Saudita e entrevistei o então príncipe da coroa, que agora é rei, Abdullah, em seu haras em Riadh, capital do país. Eu perguntei a ele por que o próximo encontro árabe importante simplesmente não propunha a Israel a completa paz e a normalização das relações, com todos os Estados árabes, em troca da retirada completa das tropas israelenses de territórios ocupados e a criação de um Estado palestino.

The New York Times |

Abdullah disse que eu havia lido sua mente (Você abriu minhas gavetas?, perguntou ele) e que ele estava pronto para fazer isso, o que ele acabou fazendo mais tarde, fazendo nascer o plano de paz de Abdullah.

Infelizmente, nem a equipe de Bush, nem a de Israel nunca levou em conta o plano de Abdullah. E o líder saudita logo parava de apresentar suas idéias diretamente ao povo israelense. Desde então, tudo se deteriorou.

Então, ultimamente, eu ando imaginando o que Abdullah proporia se eu pedisse a ele para atualizar seu plano. Eu até sondei se ele gostaria de dar outra entrevista, mas aparentemente ele permanece silencioso.

Não sendo alguém que desiste, decidi fazer a segunda melhor alternativa: ler sua mente de novo. Aqui está meu palpite de memorando que Abdullah tem em sua gaveta para o presidente Obama. Eu chamaria de: Abdullah II: A solução de cinco Estados para a paz árabe-israelense.

Caro presidente Obama,

Meus parabéns pela sua posse e por rapidamente mandar um novo enviado, George Mitchell, um bom homem, para o Oriente Médio. Eu espero que Mitchell possa retomar o que ele abandonou há oito anos, mas com a morte de Arafat, o declínio da Autoridade Palestina na Margem Ocidental, a guerra entre Hezbollah e Israel em 2006 no Líbano, a guerra entre Hamas e Israel em 2009 em Gaza, a continuação da expansão dos assentamentos de colônias israelenses e o aprofundamento do envolvimento iraniano com o Hamas e o Hezbollah criaram uma nova realidade.

Atualmente, a Autoridade Palestina, especificamente, não está em posição de assumir o controle da Margem Ocidental, o Hamas é incapaz de administrar Gaza e a introdução de foguetes fornecidos pelo Irã ao Hamas criou uma situação de acordo com a qual Israel não entregará a Margem Ocidental para nenhum palestino, porque teme que o Hamas use a região para lançar foguetes no aeroporto internacional de Israel. Mas se não fizermos nada, colonizadores sionistas devorarão o resto da Margem Ocidental e a sagrada Jerusalém. O que pode ser feito?

Eu proponho o que eu chamaria de solução de cinco Estados:

1- Israel concorda em princípio com a retirada de suas tropas de cada centímetro da Margem Ocidental e de regiões árabes no leste de Jerusalém, como também de Gaza. Qualquer território que Israel estiver retendo na Margem com seus colonizadores, deverão ser trocados ¿ centímetro por centímetro ¿ por terras da propriedade de Israel.

2- Os palestinos ¿ Hamas e Fatah ¿ concordam em formar um governo nacional único. Esse grupo então concorda em aceitar um número limitado de tropas egípcias e políticas para ajudar os palestinos a proteger Gaza e monitorar suas bordas, com o auxílio também das tropas e polícia da Jordânia na Margem Ocidental. A Autoridade Palestina concordaria com um programa de assistência de segurança de cinco anos com o Egito em Gaza e com a Jordânia na Margem Ocidental.

Com a ajuda do Egito e da Jordânia para manter a ordem, os palestinos poderiam focalizar a construção de suas próprias instituições políticas e de segurança críveis para apoiar a total independências no fim de cinco anos.

3- Israel se engajaria em uma retirada de suas tropas em fases, durante esses cinco anos de todas as suas colônias na Margem Ocidental e na parte árabe de Jerusalém ¿ exceto aqueles que forem cedidos a Israel como parte de troca de terras ¿ ao passo que os palestinos encontram a métrica de governo e de segurança juntamente com o avanço de todas as áreas. Os EUA intermediário único verificaria se as métricas foram atingidas por ambos os lados.

4- A Arábia Saudita pagaria todos os gastos creditados pelos egípcios e jordanianos, mais US$ 1 bilhão por ano de taxa de serviço para cada país ¿ como também todas as necessidades orçamentárias da Autoridade Palestina. O plano inteiro seria baseado nas resoluções 242 e 338 da ONU e abençoado por seu Conselho de Segurança.

As virtudes dessa solução de cinco Estados ¿ Palestina, Egito, Jordânia, Israel e Arábia Saudita ¿ são diversas: o Egito, a Jordânia e os Estados árabes, que têm tratados de paz com Israel, agiriam como responsáveis pela transição de que a retirada das tropas israelenses não deixe um vácuo na segurança da Margem Ocidental, de Gaza ou da Jerusalém Árabe, que poderia ameaçar Israel. E o governo israelense teria tempo para uma retirada aos poucos de seus assentamentos, e os palestinos teriam a chance de construir a nação de uma maneira organizada. Esta seria uma solução árabe que colocaria um fim às tentativas do Irã de se apropriar da questão palestina.

Presidente Obama, muito foi destruído para continuar com a solução de dois Estados. Seria como tentar construir uma casa com tijolos, mas sem cimento. Não há confiança e suporte para construí-la. Os israelenses e palestinos precisam do tipo de cimento que apenas o Egito, a Arábia Saudita e a Jordânia podem oferecer. Daria aos israelenses uma segurança e aos palestinos um caminho livre para um Estado independente.

Espero que você leve em consideração minha solução de cinco Estados.

Que a paz esteja com você,

Abdullah Bin Abdul Aziz


Por THOMAS L. FRIEDMAN

Leia mais sobre Oriente Médio

    Leia tudo sobre: oriente médio

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG