A reconciliação de Obama e Karzai

Após meses de críticas mútuas, presidentes de EUA e Afeganistão falam em cooperação

The New York Times |

Após meses de rancor, os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Hamid Karzai, do Afeganistão, se reconciliaram na quarta-feira.

Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca os dois falaram amistosamente sobre uma improvável cooperação e respeito mútuos. Não houve qualquer menção às muitas falhas do governo de Karzai ou a seu ressentimento das pressões americanas.

Confrontar o líder afegão de frente não estava funcionando. Esperamos que Obama e seus assistentes tenham um verdadeiro plano de ação para - além de baixar a temperatura - conseguir com que Karzai faça o necessário para a criação de um governo minimamente eficaz.

O general Stanley McChrystal, principal comandante no Afeganistão, tem uma clara estratégia militar. Temos menos certeza sobre a estratégia política desta gestão.

Os riscos foram expostos em Marjah. Uma ofensiva militar em fevereiro expulsou as forças Talebans da região e garantiu o centro da cidade. Ainda assim, os planos americanos de instalar uma autoridade estatal rapidamente fracassaram - seja porque haviam poucos afegãos qualificados ou dispostos a correr o risco ou o governo de Karzai simplesmente não estava interessado.

Mais de dois meses depois, o Taleban ainda está ativo na região, e não há um governo local em ação. Washington terá de fazer melhor na ofensiva muito mais importante deste verão a Kandahar.

Karzai tem considerável responsabilidade pelo que aconteceu de errado. Ele se recusou a erradicar a corrupção. Ele prefere capangas a gestores competentes. Ele desperdiçou seu tempo falando contra seus protetores americanos.

O problema é agravado pelas incertezas sobre quem está no controle das políticas civis no Afeganistão. Richard Holbrooke deveria supostamente ser o responsável. Mas seus laços com Karzai se desfizeram e agora seu poder - em Washington e Cabul - é incerto.

A análise amplamente divulgada do embaixador Karl Eikenberry de que Karzai não é "um parceiro estratégico adequado" gerou tensões permanentes entre Karzai e McChrystal.

O objetivo desta gestão se concentra na capacitação do governo afegão - de Cabul aos governos locais. Até que o governo demonstre que pode oferecer um mínimo de segurança, postos de trabalho, água e eletricidade, os afegãos provavelmente não correrão o risco de rejeitar o Taleban.

Qualquer progresso tem sido frustrantemente lento.

O Departamento de Estado alocou 1.000 especialistas civis em março (um aumento dos 300 do ano passado) para aconselhar ministérios afegãos e supervisionar programas de ajuda. Esses números mascaram a dificuldade de preencher essas vagas - e quão difícil será a sua substituição. O Congresso precisa financiar completamente o pedido do Departamento de Estado de US$ 284 milhões para a criação de um corpo permanente de especialistas civis para ajudar no Afeganistão e em outros países.

Enquanto isso, um novo relatório do Gabinete de Prestação de Contas do Governo disse que a violência no Afeganistão está atrasando a implementação e aumentando o custo de programas de ajuda. Isso não é um bom prenúncio para o objetivo de Obama de começar a retirada das tropas americanas em meados de 2011.

Esperamos que a hospitalidade americana não faça com que Karzai pense que sua responsabilidade acabou. Acreditamos que Obama tenha sido mais rígido em conversas privadas. Esperamos também que Obama tenha conversas mais duras com sua equipe.

    Leia tudo sobre: afeganistãoeuakarzaiobama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG