A perspectiva vista do fundo do poço

Os criadores das políticas do Federal Reserve disseram na última quarta-feira que a recessão parecia ter chegado ao fundo do poço. Entre os indicadores de que o ¿fim da crise está próximo¿ estava o gasto dos consumidores, o qual eles disseram que começou a se estabilizar.

The New York Times |

Na quinta-feira, o Departamento de Comércio divulgou que as vendas de varejo diminuíram em julho, após um aumento em maio e junho. Mas o fato é que a elevação dos preços ocorreu principalmente nos bens de primeira necessidade como energia, e não com a compra de mais itens.

E enquanto o programa do governo cash-for-clunkers (sistema de desconto na compra de carros) aumentou a venda de automóveis no último mês, a venda no varejo em todos os outros produtos decaiu em 0,6%, um número muito pior do que os economistas esperavam. As más notícias foram reforçadas na sexta-feira, com a queda inesperada do índice de confiança do consumidor feito pela Universidade de Michigan.

O gasto do consumidor é responsável por quase 70% da atividade econômica. Por isso, os últimos dados podem ser um aviso de que a recessão ainda não atingiu o fundo, como o Fed acredita. Ou ¿ quase tão pior quanto isso ¿ os dados podem ser uma evidência de que chegar ao fundo do poço não significa que em seguida haverá uma recuperação, mas sim um crescimento bem fraco.

A boa notícia é que, nos próximos meses, o incentivo ao consumo provavelmente é um estímulo considerável no crescimento econômico. Mas os ventos opostos também possuem uma força substancial.

Os parlamentares, ansiosos para declarar o fim da recessão, precisam prestar mais atenção e se prepararem para fazer mais para recuperar a economia. Do contrário, há um grande risco de que assim que o estímulo comece a enfraquecer, a economia também o faça.

O gasto do consumidor não se recuperará de verdade até que surjam empregos. Infelizmente, o aumento do número de trabalhos não deve melhorar até o ano que vem. Por isso, pode levar dois anos ou mais para recuperar a devastadora perda de empregos desta recessão. O consumo também será refreado quando o mercado imobiliário começar a dar um fim em suas grandes dívidas e tentar reconstruir os trilhões de dólares que perdeu com habitações e ações da bolsa.

Ao mesmo tempo, famílias enfrentarão ainda mais pressão com os impostos federais e com os cortes no serviço público. O ano fiscal de 2010 começa em 1º de julho para a maioria dos Estados, mas a deficiência do novo orçamento já atingiu 13 Estados e o Distrito de Columbia, totalizando US$ 16 bilhões.

O sistema financeiro também não está muito bem. Os empréstimos para propriedades comerciais ¿ há um valor considerável de US$ 3,5 milhões ¿ cada vez mais tendem a fracassar. Bancos médios e pequenos, que emprestaram muito dinheiro a desenvolvedores, estão a caminho do perigo. Muitos falirão, e quando isso acontecer, o crédito se tornará mais difícil de conseguir para negociadores e consumidores.

E a crise imobiliária continua. Houve mais de 360 mil preenchimentos para a execução de hipotecas em julho, outro recorde, de acordo com a RealtyTrac, comerciante online de hipotecas. A execução geralmente significa a destruição financeira dos devedores. Mas também aponta para uma redução nos valores das propriedades para o resto.

A falta de emprego, o baixo consumo e o perigo fiscal do Estado exigirão mais gastos federais com benefícios do seguro-desemprego e assistência aos Estados. Isso ajudará a substituir a demanda que se perdeu com a redução do consumo. O enfraquecimento dos bancos irá precisar de regulamentações federais para fechar com eficiência instituições falidas, para que as perdas não se aprofundem e acabem piorando os danos. O aumento do número de execuções de hipotecas exigirá a criação de alternativas por parte do Congresso e da administração de Obama para as atuais tentativas de melhora.

Já ficou claro que os parlamentares precisam fazer mais para garantir que, independentemente de quando chegar ao fundo do poço, a economia não fique por lá.

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