WASHINGTON ¿ Por quarto dias, o senador John McCain tentou manter viva a história sobre como o senador Barack Obama desistiu de uma visita aos soldados americanos feridos em guerra que se recuperam no Centro Médico Regional Landstuh, na Alemanha.

Na última semana, os conselheiros de McCain aceitaram ficar de fora da controvérsia. Mas segunda-feira, as críticas foram colocadas em um comercial de TV e a campanha da McCain recrutou um soldado aposentado para garantir um rosto personalizado à história.  

Tenho certeza que o senador Obama não poderia fazer melhor uso de seu tempo que visitar nossos homens e mulheres uniformizados lá (na Alemanha), disse Michael J. Durant, soldado aposentado, em um pronunciamento preparado pela campanha de McCain. Aquele Barack Obama lançou sérias dúvidas sobre seu julgamento e colocou em questão suas prioridades.

Segundo Durant, a visita ao Centro Médico foi cancelada depois de ficar claro que os assessores de Obama e os jornalistas que o acompanhavam não poderiam entrar com o senador. 

Essa versão não é correta, declarou um conselheiro de Obama. Antes da sua visita à Base Aérea Ramstein, próxima ao Centro Médico, ser cancelada, o plano era pedir aos jornalistas que ficassem no terminal da Base enquanto Obama e um de seus conselheiros visitassem os soldados americanos. O Pentágono não permite que o interior da Landtuhl seja fotografado.

Durante semanas, Obama vinha planejando visitar os soldados em recuperação na Alemanha, assim como fez no Afeganistão na última semana e já havia feito no Centro Médico do Exército Walter Reed, em Washington. No entanto, a visita ao Centro na Alemanha implicaria mais riscos porque Obama estava no meio de uma campanha pela Europa.

Robert Gibbs, estrategista sênior da campanha, disse que o candidato democrata pensou que pudesse realizar a visita sem torná-la política. 

Mas dois dias antes da visita, o Pentágono informou à campanha de Obama que somente o candidato estava autorizado a entrar no Centro Médico enquanto senador. O conselheiro que planejava entrar com Obama, Scott Gration, general aposentado da Força Aérea, disse que foi informado que não poderia acompanhar o candidato porque era conselheiro voluntário da campanha.

Obama foi questionado no sábado, em Londre s, sobre o ocorrido.  

O acontecimento despertou uma preocupação de que talvez nossa visita estivesse sendo percebida como um ato político, e a última coisa que eu quero é ofender os soldados e a equipe dessa instituição maravilhosa fazendo com que eles pensem que aquela era uma visita política e que eles se encontravam no meio de um fogo cruzado entre campanhas eleitorais, declarou Obama. Então, ao invés de ir em frente e correr o risco de ser pego no que pode ser considerado uma controvérsia política de alguma natureza, decidimos desistir da visita e entrar em contato com tropas que estavam lá.  

O comercial de TV de McCain, que garante que Obama preferiu ir ao ginásio ao invés de visitar as tropas americanas, é incorreto. Obama não visitou as tropas no Centro Médico na sexta-feira pela manhã, mas concedeu uma entrevista à rede de televisão CNN em seu hotel em Berlim

Afirmações de que o Pentágono teria dito que Obama não poderia visitar o centro médico também não são corretas, disse Geoff Morrell, porta-voz do Pentágono. Ele disse que os militares na Alemanha se prepararam para a visita de Obama e ficaram surpresos quando o candidato desistiu

O cancelamento causou uma das poucas notícias azedas sobre a viagem à Europa que pareceu ter sido muito bem orquestrada. E causou uma pequena rachadura em um assunto ¿ relacionamento com militares ¿ que McCain acredita que Obama é muito vulnerável.    

Se a versão sobre o cancelamento da visita às tropas continuar seu curso, uma questão permanecerá: por que Obama não deixou seus conselheiros para trás, mesmo que fosse o general aposentado, e fez a visita sozinho?  

Mesmo que ele fosse sozinho, o evento seria caracterizado como eleitoral, disse Gibbs em entrevista na segunda-feira, adicionando, ele decidiu não colocar as tropas nessa posição.  

Por JEFF ZELENY

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