A guerra se acalma, mas civis ainda enfrentam crise no Sri Lanka

NOVA DELHI ¿ Na terça-feira, um dia após a destruição de uma trincheira, o Exército do Sri Lanka avançou sobre o que parecia ser o último pedaço da costa do nordeste tomado pelos rebeldes separatistas tâmeis. No local, havia milhares de civis presos em uma situação chamada pelo Comitê da Cruz Vermelha de ¿nada menos que catastrófico¿.

The New York Times |

AP

Civis do Tâmil chegam à zona de segurança controlada pelo governo

A Cruz Vermelha disse em um relatório que centenas de pessoas foram mortas ou feridas no conflito. Ao menos 4.500 morreram desde a metade de janeiro, disse um oficial sênior da ONU.

Diversos países, juntamente com a ONU, pediram ao governo e aos rebeldes a permissão da passagem segura para os milhares de civis presos no que seria a última zona de batalha de um conflito que existe há mais de duas décadas. Esses pedidos foram completamente ignorados.

Seevaratnam Puleedevan, secretário-geral do secretariado de paz dos rebeldes, disse, na terça, por telefone, que o grupo para a Libertação dos Tigres do Tâmil Eelam, ou Tigres Tâmeis, nunca se entregarão, de acordo com a agência de notícias Reuters.

Na segunda-feira, soldados do Sri Lanka penetraram em uma represa de terra de aproximadamente 13 quilômetros, um resquício de terra entre uma lagoa de água salgada e um mar, onde os rebeldes montaram sua base. O Exército disse que cerca de 50 mil pessoas partiram desde então.

Os rebeldes acusam os militares de matarem mil pessoas e ferir mais do que o dobro deste número. Em relatórios mais recentes, que incluem um vídeo mostrado pelo exército a alguns jornalistas, no qual sugeria que em Colombo, capital do Sri Lanka, combatentes rebeldes haviam atirado e matado civis que tentavam fugir.

Não há uma estimativa confiável de quantos civis ficaram na área. Agências de assistência acham que há entre 50 e 100 mil pessoas. Imagens de satélite da UNOSAT, serviço da ONU que fornece imagens de satélite de zonas de conflito e áreas devastadas, mostra que há uma grande concentração de pessoas em acampamentos temporários, em áreas que no começo de fevereiro e março estavam desocupadas.

Jornalistas independentes não têm acesso a nenhum local próximo da zona de conflito. Diversos correspondentes estrangeiros que cobrem a região foram informados de que seus nomes estão em uma lista de pessoas que não podem entrar, impedindo efetivamente os profissionais de entrarem no Sri Lanka mesmo como turistas, (o país não respondeu a pedidos freqüentes do The New York Times por vistos de entrada).

Na semana passada, os militares declararam uma pausa de dois dias no conflito e pediram que os rebeldes deixassem os civis saírem do local. Os tigres pediram novamente por um cessar-fogo e diálogos, o que o governo rejeitou.

Diversos países, incluindo os Estados Unidos, pediram ao governo para repensar mais uma vez sobre essa guerra, para que houvesse uma negociação sobre a evacuação dos civis.

Nesta terça, o presidente Mahinda Rajapaksa do Sri Lanka chamou de desnecessário referindo-se ao êxodo de civis.

Recentemente, enviados da ONU foram mandados ao Sri Lanka diversas vezes. Mas eles ainda precisam convencer os rebeldes a considerar uma negociação de desarmamento. Outra opção seria persuadir o governo a diminuir a pressão sobre o conflito por um tempo razoável no qual possa haver uma evacuação de não combatentes.

Mas o retrato da carnificina surgiu daqueles que planejavam sair do local. A pesquisa conduzida pela UNICEF, em meados de março, mostrou que entre as crianças com idade abaixo de cinco anos, uma em quatro sofre de subnutrição. Uma agência de assistência aos feridos disse que uma criança em quatro tiveram membros do corpo amputados.

Por SOMINI SENGUPTA


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